quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Conto mentiroso sobre alguém que inventei

Ele disputava o lucro consigo mesmo.
Queria saber se tinha saído ileso.

"Pra quê tanta disputa!?", disse a puta.
Ele assentiu. Não havia motivo pra perder seu tempo.
Já tinha desfrutado do gozo, que chegou tardio, mas veio.

Juntou seus farrapos, deu o último trago no cigarro e seguiu o breve caminho até a esquina mais próxima.
Sentou e ficou por lá. Não gostava mais de caminhar.
Na verdade, tinha perdido todos os gostos da vida, menos o de disputar lucros.

Por fim, dormiu ali, no frio, a calça ainda aberta, o cigarro inteiro queimado na ponta dos dedos.

Quando o vi na manhã seguinte, não lhe tinha sobrado muita coisa. Os ossos ainda vermelhos, em brasa, fumegavam desesperados.
Disseram que alguns moleques o prenderam bem amarrado e atearam fogo.
Mas só consigo me lembrar da pequena mulher, em prantos, que soluçava.

Um comentário:

Andressa Pestilli disse...

Aguardando ansiosamente pelas próximas publicações!