quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Quanto silêncio onde já foi riso.


Deixei a comida sendo preparada na rua e
corri com o medo do assalto.
Abri essa porta barulhenta achando que ouvia alguma voz dentro da casa.
Nesse caminho da sala até meu quarto,
o coração pulava no peito tal qual acrobata no trapézio.

Imaginei encontrar alguém nessas paredes,
alguém afim de uma conversa longa,
querendo abstrair o mundo e negar as incertezas do nosso coração.

Queria, por um instante, ouvir um causo longo
sobre alguém que não conheço
e dar uma risada monumental.
Falar da minha saudade de ver essa casa cheia,
lembrar de dias de Rango Louco, Alcione e areia,
contar das minhas veias onde corre meu novo amor.

Pra mim, parece que tudo passou na velocidade de um foguete,
fiquei adulto, fiquei chato, careta, amei demais.
E tudo isso em um só ano,
em uma voltinha ao redor do quente sol de São João del Rei.
E o quanto eu me lembrei.

Mas esse alguém dessa conversa
é esse ninguém do meu peito,
onde tudo passa do seu jeito,
onde tudo quer, sem que ninguém peça.
Acendi meu cigarro, pra acalmar o coração,
pra feder o meu quarto já cansado,
amarelar os finos dedos dessa mão.

Não nos prego como nostalgia,
tenho 20,
já fui triste
e já nem sou.
Só não quero o resto da vida só por vir,
com um ou outro aqui, outro por lá.

Queria todos juntos,
no quintal,
conversando junto à fumaça dos mil cigarros que sonhávamos em negar.
Só que ando com um vazio no meu peito,
onde tudo quero do meu jeito,
onde tudo peço, sem passar.

9 comentários:

enD disse...

Nossa, Léo, que lindo!

Não sei o que dizer, talvez que também sinto saudade disso e de conversas longas que (eu) nunca tive.

Um beijo!

Trajetória da vida disse...

Lindo! É sentimento transbordando isso ai.

Steph disse...

Lindo, como sempre =)

Pelo menos você sabe que já tem pra onde correr quando esse vazio te atormentar de novo. Não é?

Bjim (pra descontrair kkk)

caio moretti disse...

Fantástico

Gustavo Pavan disse...

Fiquei sem palavras...

loufai disse...

Falta tanta coisa.
Em breve vamos juntar ausências e brindar saudades. Torça por mim.

Léo Rigotto disse...

VEM PRA CÁ LOGO, BIGORNA!

Julia disse...

que melancólico, não sei... triste.
mas... você também ta se sentindo velho? haha eu to idosa já!

Léo Rigotto disse...

Me sinto careca, barba grisalha e barriga de cerveja.