quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Hiperatividade Passageira

Eu as vezes não entendo essa minha doença. Passa tanta coisa na minha cabeça. Passa chaves na tevê. Passa tanto medo, tanta música. Passo eu, passa você. Ela passa e fica. Passam passos e Passenses. Passo frio. Passa minha mãe e meu pai, lá longe. Passam horas sem dormir. Passo mais um café pra continuar aqui. Passa a página, passa vontade. Passa-tempo, verdade. Passam dias que voltei e agora passa vento no vidro quebrado da janela do meu quarto. Só não paro de passar por essa pena de pedir mais um tempo pra passar com quem eu amo. Mas esse amor agora é tanta gente, que passam cidades, passam ônibus, passam meses e eu não consigo fazer passar esse desejo de que todos e tudo dêem uma passadinha aqui nesse sofá.
Enquanto isso, alguém passa a minha roupa na avenida Leite de Castro com um lindo ferro de passar.

4 comentários:

Ana Luísa Mendes disse...

tudo passa, passamos tudo!

Laís. disse...

Por que seus textos sempre terminam dessas formas sem noção, inesperadas e não-poéticas, filho? Sorte sua mandar bem, senão te acharia um merda.
Beijo.

Anna (psi) disse...

Lindo, Léo.

loufai disse...

Passa a bola.