segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

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Vitrolas, marionetes, balões. Tudo aquilo e mais um pouco girava em torno dela, e ela nem sequer se movia. Parada, paralisada, olhando o mundo novo à sua volta, com aquele mesmo olhar que teve, quando pela primeira vez abriu os olhos naquele líquido escuro e materno por onde passara 9 meses. Sim, ela estava maravilhada, tonta e sem palavras, não que conseguisse pronunciar alguma com seus poucos meses de vida, mas, mesmo se conseguisse, não teria palavras para fazê-lo.
Sentou-se nos afagos do pai, observou tudo à volta, e, com grande esforço, soltou um leve grito de satisfação. E aquele gritinho agudo e contente foi a única coisa que realmente descreveu o momento.
Alguns anos se passaram, e ela percebeu que as maravilhas que sentiu naquele dia inesquecível nunca mais vieram à tona tão intensamente como na primeira vez. Procurou saber o motivo, se informar, mas tudo o que via não se parecia nem um pouco com aquilo que sentiu.
Ela poderia descrevê-lo como felicidade, mas a palavra felicidade logo se tornava carros, casas e produtos de beleza quando ela perguntava às pessoas. Poderia também descrever como algo magnífico, mas isso se transformava em bíblias e santos em poucos segundos na boca da população.
E o tempo passou, e ela nunca mais sentiu aquilo. Ao contrário: ela foi sentindo cada vez mais calor, mais cheiros ruins, mais plástico, menos físico e muito menos feliz. Ao final, ela decidiu acabar com tudo aquilo, e, como num passe de mágica, voltou ao útero úmido e confortável de sua mãe, e sonhou com as vitrolas, as marionetes e os balões, e jurou a si mesma que faria com que sua vida não sentisse aquilo apenas uma vez, mas que sentisse todos os dias, e que fizesse as outras pessoas sentirem também.

Um comentário:

Lucas disse...

O que falta a humanidade é a capacidade de ver as coisas com outros olhos. Tudo anda tão estático que dá vontade de voltar aos primórdios e sentir tudo novamente, mas, dessa vez, como novo.