Na realidade
as únicas partes boas da vida
são aquelas
que você nem se toca
que vai lembrar pra sempre.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Planto tuas cinzas tal qual semente e te rego até nascer de novo, se for preciso.
Teria mil cortes nas mãos, cansadas do garimpo.
Teria cem calos nos pés, fartos da terra.
Teria quinhentas cicatrizes na face, surrada nas brigas.
Tenho cortes, calos e cicatrizes no peito, ainda aberto e tentando compreender.
Acomete-me a vontade. A saudade. E algo mais.
Aparece-me o desespero das pessoas ao meu redor.
Medo e vergonha me desesperam agora.
Se tivesse a lâmpada,
pediria para não fazer mais escolhas na vida.
As que eu fiz, até agora, já bastam.
Já me faço feliz com elas, já sou completo.
Pediria para que outros me escolham,
outros me digam o que fazer.
Não quero precisar entender o meu passado
e me culpar pelo presente que talvez tenha fugido.
Busquei o que precisava,
sou o homem feliz que queria ser,
mas a tristeza ao meu redor me faz triste,
as fugas e atalhos que não percebi que tomei
percebem-me agora e me apontam o dedo.
Eu fico com o que quiserem,
tomo a pílula azul ou vermelha.
Se essa é minha vida agora,
sou feliz.
E ainda quero dividir.
Então venha pegar sua parte,
porque, mesmo dizendo que não, convidei todas as vezes em que tinha muita felicidade para dividir.
E a resposta foi "deixa pra outro dia".
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
A comédia do seu fim.
O que é isso que ostenta no peito?
É coisa que nem sabe direito?
Encontra o velho pão dormido
e perde os dentes pra se acostumar
treze anos de alegria
o triplo e meio de azar
na maleta três aspirinas
um copo d'água
margarinas
dois quilos de manjar
O que te esconde se não surte efeito?
Já troca o tempo pelo selo eleito?
Pensou que foi mas não tinha ido
diz que tenta mas nem quer tentar
abre a mão mas noutro dia
poesia é puro ar
vai lembrar daquelas sinas
quedas d'água
marinas
e não vai querer voltar
Não se muda nenhum feito.
Do berço até o leito.
Queria ter sido
poderia mudar
se pensasse na maria
se pudesse não lutar
pede até graças divinas
benze água
imaginas
e perde e deixa o tempo voar
É coisa que nem sabe direito?
Encontra o velho pão dormido
e perde os dentes pra se acostumar
treze anos de alegria
o triplo e meio de azar
na maleta três aspirinas
um copo d'água
margarinas
dois quilos de manjar
O que te esconde se não surte efeito?
Já troca o tempo pelo selo eleito?
Pensou que foi mas não tinha ido
diz que tenta mas nem quer tentar
abre a mão mas noutro dia
poesia é puro ar
vai lembrar daquelas sinas
quedas d'água
marinas
e não vai querer voltar
Não se muda nenhum feito.
Do berço até o leito.
Queria ter sido
poderia mudar
se pensasse na maria
se pudesse não lutar
pede até graças divinas
benze água
imaginas
e perde e deixa o tempo voar
Meu tempo
De tudo um pouco
se alimenta o profundo mar de sentidos.
O toque na pele,
o som do sorriso.
Percebe a falta nos segundos
quando o tempo passa bem mais devagar.
Hoje é tartaruga, até te encontrar.
se alimenta o profundo mar de sentidos.
O toque na pele,
o som do sorriso.
Percebe a falta nos segundos
quando o tempo passa bem mais devagar.
Hoje é tartaruga, até te encontrar.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Porquesia?
A poesia não é um salto no escuro,
seria triste demais se fosse.
A poesia é um extremo norte de algum lugar bem ao sul do oeste.
A poesia é deus, e todos sabem que ele não existe.
Os que não sabem, por favor se submetam a exames.
Por que a poesia é tão manda chuva?
Bate vento na janela.
A poesia pra mim é uma teclinha que eu aperto dentro do nariz de um mendigo.
É um botãozinho no cu de um elefante, e você veste pés de pato e máscara de mergulho.
A poesia pode ser qualquer palavra relacionada a sexo, traumas de infância ou anestesias.
A poesia tem fedido ultimamente.
Me disseram que é bom não usar desodorante na poesia,
ele escurece a pele.
Eu gosto da minha poesia de pele lisa e mal passada, com muito molho, por favor.
A poesia é uma esfera azul cintilante no fundo mais profundo do mar.
Poesia é o caralho.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
04:15 é quase.
O quê tem pra me dizer a essa hora da madrugada?
Que ainda falam em algum lugar do mundo,
trancados no quarto?
É o que faço agora?
Vais hoje, que já é tarde,
e volta daqui um tempo,
que já é tudo natural.
Mas e se não fosse?
Daí tem muitas pessoas na tua vida que ainda respiram
mas nunca mais dividiram o teu ar,
e nem irão.
"Mas vai hoje, que já é tarde"
é o que me diz essa hora da madrugada,
e eu acato e vou quieto.
Lá tem vida nova no teu sangue.
Aqui também.
Meu grande amigo disse que vida é quando toca a vida de alguém.
Daí a gente vai tocando a vida então.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Otimismo, pra quê te quero?
Decepo-me e logo noto nós na minha cabeça.
Chego mais perto para um olhar mais aguçado.
Vejo pulgas atrás da orelha e rugas nos olhos.
Boto minhas luvas de taxidermista
e vou ao ataque: PLAFT! tenho minha consciência em mãos.
Brinco um pouco, giro-a no ar.
Aproximo o bisturi e corto na metade.
Jogo uma parte fora e a outra boto logo de volta no lugar.
Dilacero-me a cabeça em todas as partes.
Tiro metade de um e metade de outro.
Três metades para cada três inteiros
são jogadas no lixo,
as outras três, devolvo a mim.
Ao fim do dia, tenho só sorrisos,
que metade de mim que era choro
fica nos entulhos hospitalares
dessa nossa vida,
para ser esquecida ou reciclada.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Paranóia
Olho de um lado pro outro.
Olho de novo.
Tem sempre alguém ali.
Olá.
Olho pra ver se ando torto,
olho meio torto de novo.
Cadê?
Não achei ninguém.
Olá?
Cadê aquela minha calma?
Cadê a alma que já tive aqui?
Cadê as respostas pra vida que pedi?
Cadê os pedidos que queria ouvir?
Olho de um lado pro outro,
um lado torto, olho pra mim.
Tinha alguém que não está mais ali.
Tinha alguém aqui que não estou mais.
Tem quem entenda?
Alguém me conhece?
Queria que conhecessem.
Olho de novo.
Tem sempre alguém ali.
Olá.
Olho pra ver se ando torto,
olho meio torto de novo.
Cadê?
Não achei ninguém.
Olá?
Cadê aquela minha calma?
Cadê a alma que já tive aqui?
Cadê as respostas pra vida que pedi?
Cadê os pedidos que queria ouvir?
Olho de um lado pro outro,
um lado torto, olho pra mim.
Tinha alguém que não está mais ali.
Tinha alguém aqui que não estou mais.
Tem quem entenda?
Alguém me conhece?
Queria que conhecessem.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Quanto silêncio onde já foi riso.
Deixei a comida sendo preparada na rua e
corri com o medo do assalto.
Abri essa porta barulhenta achando que ouvia alguma voz dentro da casa.
Nesse caminho da sala até meu quarto,
o coração pulava no peito tal qual acrobata no trapézio.
Imaginei encontrar alguém nessas paredes,
alguém afim de uma conversa longa,
querendo abstrair o mundo e negar as incertezas do nosso coração.
Queria, por um instante, ouvir um causo longo
sobre alguém que não conheço
e dar uma risada monumental.
Falar da minha saudade de ver essa casa cheia,
lembrar de dias de Rango Louco, Alcione e areia,
contar das minhas veias onde corre meu novo amor.
Pra mim, parece que tudo passou na velocidade de um foguete,
fiquei adulto, fiquei chato, careta, amei demais.
E tudo isso em um só ano,
em uma voltinha ao redor do quente sol de São João del Rei.
E o quanto eu me lembrei.
Mas esse alguém dessa conversa
é esse ninguém do meu peito,
onde tudo passa do seu jeito,
onde tudo quer, sem que ninguém peça.
Acendi meu cigarro, pra acalmar o coração,
pra feder o meu quarto já cansado,
amarelar os finos dedos dessa mão.
Não nos prego como nostalgia,
tenho 20,
já fui triste
e já nem sou.
Só não quero o resto da vida só por vir,
com um ou outro aqui, outro por lá.
Queria todos juntos,
no quintal,
conversando junto à fumaça dos mil cigarros que sonhávamos em negar.
Só que ando com um vazio no meu peito,
onde tudo quero do meu jeito,
onde tudo peço, sem passar.
sábado, 17 de setembro de 2011
inconstitucionalissimamente
Busco problemas pra me entreter,
nesse sofá quebrado do quintal.
Onde escolhi cartas na noite passada,
e hoje não tenho nem cigarro pro meu mal.
Sinceramente, eu não consigo escolher
o que eu realmente sinto que quero.
E as vezes acho que ando sem sentido pro futuro.
O que antes era um conselho pra viver o agora,
se torna um apelo pela cigana que lerá a minha mão.
Esses sonhos que tenho são vagos e infinitos,
e o meu medo é de não realizá-los até o fim da vida.
Vou tentando, seguindo o conselho dos amigos.
O que tem me importado agora são as companhias.
E tenho as melhores.
Mas aqui, agora, trancado no meu quarto,
não tenho visto motivo pro meu futuro realizar,
não importa o quanto tento.
Pode ser tragédia da cabeça,
dramas do desconhecido,
ou falta do que fazer.
E então, por enquanto nem importa.
Se estou feliz agora, vou continuar fazendo o melhor pra continuar assim.
E deixa que as coisas chegam.
nesse sofá quebrado do quintal.
Onde escolhi cartas na noite passada,
e hoje não tenho nem cigarro pro meu mal.
Sinceramente, eu não consigo escolher
o que eu realmente sinto que quero.
E as vezes acho que ando sem sentido pro futuro.
O que antes era um conselho pra viver o agora,
se torna um apelo pela cigana que lerá a minha mão.
Esses sonhos que tenho são vagos e infinitos,
e o meu medo é de não realizá-los até o fim da vida.
Vou tentando, seguindo o conselho dos amigos.
O que tem me importado agora são as companhias.
E tenho as melhores.
Mas aqui, agora, trancado no meu quarto,
não tenho visto motivo pro meu futuro realizar,
não importa o quanto tento.
Pode ser tragédia da cabeça,
dramas do desconhecido,
ou falta do que fazer.
E então, por enquanto nem importa.
Se estou feliz agora, vou continuar fazendo o melhor pra continuar assim.
E deixa que as coisas chegam.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
De muitos, faltam poucos.
Talvez eu seja esse grande clichê,
mas quem não é?
Em pouco tempo, as coisas tomaram tantos rumos,
que o conforto do clichê às vezes me caia bem.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Me diga o número do teu bilhete e direi quem tu és.
E agora me carrego de sonolências,
às quase cinco da manhã.
Preocupado com o transporte
que, desculpem, fede morte
e cachaça barata.
Mas, enquanto em movimento,
me preocupo e me contento
e me vejo quase ali.
Quase perto do que uma semana pareceu tão longe pra mim.
E só agora me percebo pronto pra dormir.
Poderia ser mais cedo, a sonolência,
mas é sono lento de chegar.
Talvez pelos amores aqui no peito,
os pavores que nem sei direito,
e a vontade de te ver.
Só sei que suo frio,
mas fecho os olhos pra dormir tão bem.
Que amanhã, na estrada longa,
vou passar pelas paisagens
que sei que já passou também.
E vou feliz.
às quase cinco da manhã.
Preocupado com o transporte
que, desculpem, fede morte
e cachaça barata.
Mas, enquanto em movimento,
me preocupo e me contento
e me vejo quase ali.
Quase perto do que uma semana pareceu tão longe pra mim.
E só agora me percebo pronto pra dormir.
Poderia ser mais cedo, a sonolência,
mas é sono lento de chegar.
Talvez pelos amores aqui no peito,
os pavores que nem sei direito,
e a vontade de te ver.
Só sei que suo frio,
mas fecho os olhos pra dormir tão bem.
Que amanhã, na estrada longa,
vou passar pelas paisagens
que sei que já passou também.
E vou feliz.
sábado, 10 de setembro de 2011
Título
Sempre vejo graça no que acho que é agora.
Agora anda tão longe que nem sei.
Hoje me rodeio de alguns que não são
e de outros que são e talvez nem sejam.
Em alguns meses, sinto que sei que sou o que talvez nem seja.
E é simplicidade que me traz e leva.
Me deixo e me vou e volto.
E o frio do risco, na barriga,
adrenalina, que disse ao amigo agora a pouco.
E o amor. Que nem explicaram mas sei que sinto.
Se isso não for ser,
não sei o que é.
Se não for, me perco e sou.
De último momento.
Agora anda tão longe que nem sei.
Hoje me rodeio de alguns que não são
e de outros que são e talvez nem sejam.
Em alguns meses, sinto que sei que sou o que talvez nem seja.
E é simplicidade que me traz e leva.
Me deixo e me vou e volto.
E o frio do risco, na barriga,
adrenalina, que disse ao amigo agora a pouco.
E o amor. Que nem explicaram mas sei que sinto.
Se isso não for ser,
não sei o que é.
Se não for, me perco e sou.
De último momento.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
round my hometown
Tua força no meu peito.
ME MATA Ó SAUDOSA SAUDADE,
saúdo o que nunca tive e volto saudável pra casa.
Lembro dos tempos em que não sabia como seria esse tempo
e esqueço de tudo e volto.
Nunca volta, eu sei,
mas ficar saudoso é bom e então estou aqui pra lembrar.
Quem quiser lembrar, arrume a mala e pule na caçamba.
Je crois entendre encore
Caché sous les palmiers
Oh souvenir charmant,
Folle ivresse, doux rêve!
Sou sonho, e és também,
pelo fato de ter percebido que somos todos os mesmos,
em lugares diferentes.
Charmant Souvenir!
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Aquele ele que sou eu perto de ti e sou feliz.
E ao acordar se viu face a face
e descobriu que era isso mesmo
e não tinha por quê não ser.
E passou o dia inteiro pensando no que já tinha pensado
e leu algo do dia passado
e esperou a noite, que sabia que viria.
E veio, e continuou pensando,
e se viu face a face de novo,
e já criou um carinho enorme
e uma vontade
e uma duvida de que se não for verdade
e um medo de estar errado
e acha que não está
e é muito tímido pra achar
e tem certeza que vai mudar
porque não pode perder, por eles dois, que se precisam talvez.
E ao acordar se viu face a face,
novamente,
e se despediu pra ficar pensando
e esperando.
sábado, 3 de setembro de 2011
Na ultima noite (minha versão pra "Cornerstone" dos Arctic Monkeys)
Na fumaça daquela noite,
pensei ter te visto.
Mas acho que era apenas ótica.
Parecia o teu fantasma,
perto bastante para ser ele.
Mas perdi tudo quando perguntei se podia chamá-la pelo teu nome.
Na fumaça daquela outra noite,
achei ter te visto.
Sentada na cadeira enquanto eu tentava enxergar mais de perto.
E beijei quem quer que fosse que estivesse sentada ali,
tão perto.
E ela me abraçou firme,
até que perguntei educadamente: "por favor, me deixa te chamar pelo nome dela?"
E, no táxi de volta, pedi pelo caminho mais longo.
Teu perfume estava no cinto de segurança,
então preferi guardar os caminhos curtos pra mim mesmo.
E na fumaça da outra noite,
quase acreditei ter te visto,
brincando com o alarme de incêndio.
O som estava alto, não consegui ouvir,
e seu braço estava engessado.
Estava tão perto que até as paredes estavam molhadas,
e ela pôde escrever nelas: "não, você não pode me chamar pelo nome dela"
Me diga onde é que você se esconde,
estou realmente preocupado, acho que vou esquecer como é teu rosto.
E eu já perguntei pra todo mundo.
Começo a pensar que te imaginei esse tempo todo.
E, no táxi de volta, pedi pelo caminho mais longo.
Teu perfume estava no cinto de segurança,
então preferi guardar os caminhos curtos pra mim mesmo.
E na fumaça da ultima noite,
vi tua irmã no telefone.
Quando percebi que ela estava só,
achei que ela talvez entendesse.
Ela estava perto, quer dizer, não tinha como chegar mais perto.
E ela disse: "Eu não deveria, mas sim, você pode me chamar do que você quiser".
Não fique mal, amor não dói.
Não é pela tristeza, meu bem.
É pela esperança e o sentimento que me faz sentir.
É por não conseguir explicar.
É por querer bem, sem saber como vai.
Mas é, no fundo, pela vontade de querer saber até como não vai.
São pelos pixels em que escrevo e que há pouco eram tua face.
E pela memória, pela saudade.
Por tudo que sonhei e até vivi, nessa minha cabeça dura,
pela minha timidez ao teu olhar.
Pela vontade de explicar que me fazes bem,
por pequenas coisas assim,
pela lágrima que hoje vi e quis limpar.
E pela vontade de, se quiseres, dividir contigo esse tempo que talvez possa durar.
São por todos esses pores e pelos e pelas esse meu carinho grande,
esse amor que sou sem jeito de falar.
E se me disfarço na tua presença, é que sou criança,
ainda há pouco aprendi a andar,
mas que sei que sabes que de longe não tem nada e é só tempo e tempo é muito,
e repito: se quiseres, tens esse tempo que já tenho pra te dar.
Sobre o ponto alto da vida de qualquer ser.
Vim ao mundo nú, pequeno e mudo.
Chorei aos zero anos de idade.
Meus pés tocaram o chão frio às 14 horas de algum dia de algum mês e aprendi a andar.
Falei minhas primeiras palavras em uma noite de qualquer-feira de alguma semana.
Abracei e beijei mãe e pai todos os dias.
Conheci todas as pessoas do mundo, e conversei bastante com elas.
Me apaixonei aos 13.
Estudei Freud, Darvin, Marx, Bakunin, Brahms e Mozart.
Li Burroughts, Adams, Huxley, Kerouac, Snyder e Ginsberg.
Saí de casa aos 19.
Conheci novamente todas as pessoas do mundo, e ainda converso bastante com elas.
Agora, se me perguntas sobre o ponto alto da vida de qualquer ser,
respondo: são todos.
E cada segundo é importante e todo pensamento é válido e todo amor é vivido e toda lágrima chorada e todo riso verdadeiro e toda fala dita e todo o todo é tão necessário quanto é pra ser.
Agora, se me respondes que estou errado,
replico: então não vim ao mundo, não chorei, não andei, não falei, não abracei nem beijei, não conheci, não apaixonei...
Espera, tem algo errado nisso aí.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
O Tempo e o Bipe e a Vida e o Não e o Adeus (Tradução livre de "What Sarah Said" - Death Cab for Cutie)
E daí eu entendi que cada plano
é uma pequena reza pro tempo.
No momento em que eu me apoiava nos sapatos, naquela UTI
que fedia a mijo.
E eu controlei meu ar enquanto dizia a mim mesmo:
Já aguentei demais por hoje.
E cada bipe do monitor te levava um pouco mais longe de mim.
Entre as máquinas de refrigerantes e revistas velhas
em um lugar onde só se diz adeus,
como agulhas em um vento violento que são as nossas memórias
e que dependem de uma câmera defeituosa na nossa cabeça.
E aí eu sabia que você era uma verdade que eu preferia perder
a nunca mais deitar ao teu lado.
E eu olhei ao redor, todos olhando pro chão,
enquanto a tevê se entretia sozinha.
Pois não há conforto na espera
só passos nervosos esperando a má notícia.
E então chega a moça de branco e todos levantam a cabeça.
Mas eu estou pensando no que a Sarah disse,
que amar é ver alguém morrer.
Então quem é que vai te ver morrer?
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