quarta-feira, 25 de julho de 2012

C'est mim, después.


la poetria
non precisa de amores
nem de mim de ardores preciso
nem de puta poetria

la minha pós é fria
poetra que não soy
descanso o caso das palabras

poes poeta proponho à proa
prelúdio do conto que não contive
prometo de mim o ponto e
preparo o prélio que não proíbe

te digo, cachaça prompta do meu C+Copto
te digo:
se tudo és letra do carmimpto
zero e unos do palmar
tecrado véio que segura
ou o perpétuo do itaquarar
te digo:
se tudo és mi y avec moi
se je nes sais pas de yo perdido
se do mundo globlaliza já,
sei que espera o prato feito
sei que não vais cantarolar.

Deixes os helicópteros ptérios pitar

Desses Deuses de LED e painel solar

Dos meus moldes de pincel e de informar

Quero a touca
a canção rouca,
jerus e além de prosa e tar.

E esqueço de mi
espalho assim
com medo de voltar.

E só te espero no fim,
eu e vous, vós e nous, sim:
en l'água salgada del mar.

domingo, 15 de abril de 2012


Pula o mundo, deixa girar.
Tem dois arranha-céus ali que esqueceram de construir.
São João del Rei é uma bela prostituta,
mas tem andado com as pernas bem fechadinhas faz bastante tempo.

A gente pensa às vezes que vai ficar por aqui.
Tenta construir as casas, mobiliar.
Mas ninguém fica em lugar nenhum.
A gente não é dono de nada. Nós, os humanos.

Tenta até esquecer das questões,
pensa em amar, esquece o resto.
O jeito é acostumar, entrar nessa onda estranha que alguém criou faz um tempo.
Viver essa junção de muita gente em pouco espaço.

Tão pouco espaço.

sábado, 7 de abril de 2012

Clique Clique, eu tomo água.

Nunca pensei em morrer.
Não, não pense mal, não é isso.
Digo morrer, mas é morrer de livro,
que não tem nada de mais e eu continuo aqui.

Mas daí morro postumamente e meu chulé fede enquanto permaneço no caixão das ideias.
Quando volto sou zumbi, mas dos palmares.
Jogo duas capoeiras, um truco e três cachaças.

Morri, voltei e ganhei chocolate.

Queria cérebro, queria ideia.
Mas ganhei chocolate.
Tá bom, né?

terça-feira, 13 de março de 2012

terça-feira, 6 de março de 2012

Aspirina


De que me adianta perder o sono
e os amigos
e a saúde das costas?

Perder os mimos
e os risos
e a saúde das costas?

Perder os rostos
e os gostos
e a saúde das costas?

Perder o gozo
e o nojo
e a saúde das costas?

De que me adianta perder a viagem
e a tarde
e as caras de bosta?

De que me adianta?

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Ainda sem caminho pro começo


Não sei se durmo ou se recordo,
ou espero o aconchego que não chega.

O meu lar é quente e a saudade era tanta
que nem matei.
Matei foi a vontade de morar.

Onde eu piso, vira calo,
onde eu me calo, deito e reviro,
martírio meu de nos querer bem e nem sei.
Talvez nisso eu erro, ou vai saber.

Daí me passa aquela vontade,
domingo eu mudo a minha idade
e mudo o medo e vou viver.

Quanto tempo tem, amigo?
Quanto tempo tinha?
Já passou até da metade,
ou a metade é mais grandinha?

Adeus vocês, sacrifico.
O outro eu já se foi,
agora eu fico.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Eu fui viver um tempo, pra voltar.
Desculpe a demora, sei que mudei muito, e agora quero contar.
Tenha calma, é já.
Só preciso alinhar tudo, botar na prateleira, guardar o sorriso e abrir outro novo.
Já que vem.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Finados


Eu até pensei em deus,
pedi umas graças
e sei que tu pediu também.

Mas, no meio da minha reza
o padre saiu com tanta pressa
que nem terminei o ato.

Tropeçou, deu duas piruetas,
gritou "senhor, me paga essa gorjeta",
e caiu estatelado.

Crânio fraturado, morreu na hora.

E eu perdi quando dizia que não era possível:
o padre agora está ao lado de Jesus.
No cemitério, eu digo.

Foi enterrado,
e, na lápide ao lado,
se pode ler em meio a lenha:
Jesus Manoel da Silva e dos Santos Adorado.
Que a terra os tenha.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Sinceridade já matou.

Te escuso meu amigo,
e não quero mais te ver.
Olha, sinceramente, não queria,
sei que não podia,
e nem esperei acontecer.

Você tem andado com umas pessoas estranhas,
uns caras meio sacanas,
eu nem queria te dizer.

Mas abre teu olho,
pega as chaves, esconde o molho,
esse não é nem mais você.

Me desculpe ser sincero.

A Roça do Seu Aristides

A gente ia pra lá quando era criança,
pegava bicho de pé, carrapato,
era aquela andança.

O Seu Aristides sempre sabia quando a gente ia chegar,
só de ouvir os pezinhos, ele já saía na porta, viola no braço,
já dava um abraço e começava a cantar.

E a gente era novo,
não entendia de quase nada.
Quando Seu Aristides cantava aquelas coisas de amor,
que a mulher dele até chorava,
a gente tava chutando o pé do outro debaixo da mesa,
tava esperando a sobremesa,
tava querendo correr no milharal.

Mas agora a gente entende o Aristides,
quando a gente vem aqui triste nesse bar.
São Paulo já não cabe mais gente,
a gente não encontra mulher descente,
e já faz um mês que tamo cansado de trabalhar.

E quem de nós que não senta nessa mesa,
bebe três, quatro cerveja,
e não tem vontade de voltar?
Lá pra onde era certo,
a roça do Aristides era perto,
leite de vaca, queijo fresquinho,
e música triste pra gente brincar.

De tudo desses mundos, desses tempos, de nem sei.

Tenho um medo do futuro
a partir do momento em que lembrei que ele existe.
Sinto saudade um mês antes de sentir,
e um ano inteiro até ela passar.

Meu coração é meio estranho.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Na realidade
as únicas partes boas da vida
são aquelas
que você nem se toca
que vai lembrar pra sempre.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Planto tuas cinzas tal qual semente e te rego até nascer de novo, se for preciso.


Teria mil cortes nas mãos, cansadas do garimpo.
Teria cem calos nos pés, fartos da terra.
Teria quinhentas cicatrizes na face, surrada nas brigas.

Tenho cortes, calos e cicatrizes no peito, ainda aberto e tentando compreender.
Acomete-me a vontade. A saudade. E algo mais.
Aparece-me o desespero das pessoas ao meu redor.
Medo e vergonha me desesperam agora.

Se tivesse a lâmpada,
pediria para não fazer mais escolhas na vida.
As que eu fiz, até agora, já bastam.
Já me faço feliz com elas, já sou completo.
Pediria para que outros me escolham,
outros me digam o que fazer.
Não quero precisar entender o meu passado
e me culpar pelo presente que talvez tenha fugido.

Busquei o que precisava,
sou o homem feliz que queria ser,
mas a tristeza ao meu redor me faz triste,
as fugas e atalhos que não percebi que tomei
percebem-me agora e me apontam o dedo.

Eu fico com o que quiserem,
tomo a pílula azul ou vermelha.
Se essa é minha vida agora,
sou feliz.
E ainda quero dividir.
Então venha pegar sua parte,
porque, mesmo dizendo que não, convidei todas as vezes em que tinha muita felicidade para dividir.
E a resposta foi "deixa pra outro dia".

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A comédia do seu fim.

O que é isso que ostenta no peito?
É coisa que nem sabe direito?
Encontra o velho pão dormido
e perde os dentes pra se acostumar
treze anos de alegria
o triplo e meio de azar
na maleta três aspirinas
um copo d'água
margarinas
dois quilos de manjar

O que te esconde se não surte efeito?
Já troca o tempo pelo selo eleito?
Pensou que foi mas não tinha ido
diz que tenta mas nem quer tentar
abre a mão mas noutro dia
poesia é puro ar
vai lembrar daquelas sinas
quedas d'água
marinas
e não vai querer voltar

Não se muda nenhum feito.
Do berço até o leito.
Queria ter sido
poderia mudar
se pensasse na maria
se pudesse não lutar
pede até graças divinas
benze água
imaginas
e perde e deixa o tempo voar

Eu não sei entender o começo, meio e fim.
Ai de mim.

Meu tempo

De tudo um pouco
se alimenta o profundo mar de sentidos.
O toque na pele,
o som do sorriso.
Percebe a falta nos segundos
quando o tempo passa bem mais devagar.
Hoje é tartaruga, até te encontrar.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Porquesia?


A poesia não é um salto no escuro,
seria triste demais se fosse.
A poesia é um extremo norte de algum lugar bem ao sul do oeste.
A poesia é deus, e todos sabem que ele não existe.
Os que não sabem, por favor se submetam a exames.
Por que a poesia é tão manda chuva?
Bate vento na janela.
A poesia pra mim é uma teclinha que eu aperto dentro do nariz de um mendigo.
É um botãozinho no cu de um elefante, e você veste pés de pato e máscara de mergulho.
A poesia pode ser qualquer palavra relacionada a sexo, traumas de infância ou anestesias.
A poesia tem fedido ultimamente.
Me disseram que é bom não usar desodorante na poesia,
ele escurece a pele.
Eu gosto da minha poesia de pele lisa e mal passada, com muito molho, por favor.
A poesia é uma esfera azul cintilante no fundo mais profundo do mar.
Poesia é o caralho.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

04:15 é quase.


O quê tem pra me dizer a essa hora da madrugada?
Que ainda falam em algum lugar do mundo,
trancados no quarto?
É o que faço agora?

Vais hoje, que já é tarde,
e volta daqui um tempo,
que já é tudo natural.
Mas e se não fosse?

Daí tem muitas pessoas na tua vida que ainda respiram
mas nunca mais dividiram o teu ar,
e nem irão.

"Mas vai hoje, que já é tarde"
é o que me diz essa hora da madrugada,
e eu acato e vou quieto.

Lá tem vida nova no teu sangue.
Aqui também.
Meu grande amigo disse que vida é quando toca a vida de alguém.

Daí a gente vai tocando a vida então.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Otimismo, pra quê te quero?


Decepo-me e logo noto nós na minha cabeça.
Chego mais perto para um olhar mais aguçado.
Vejo pulgas atrás da orelha e rugas nos olhos.

Boto minhas luvas de taxidermista
e vou ao ataque: PLAFT! tenho minha consciência em mãos.
Brinco um pouco, giro-a no ar.
Aproximo o bisturi e corto na metade.
Jogo uma parte fora e a outra boto logo de volta no lugar.

Dilacero-me a cabeça em todas as partes.
Tiro metade de um e metade de outro.
Três metades para cada três inteiros
são jogadas no lixo,
as outras três, devolvo a mim.

Ao fim do dia, tenho só sorrisos,
que metade de mim que era choro
fica nos entulhos hospitalares
dessa nossa vida,
para ser esquecida ou reciclada.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Paranóia

Olho de um lado pro outro.
Olho de novo.
Tem sempre alguém ali.
Olá.

Olho pra ver se ando torto,
olho meio torto de novo.
Cadê?
Não achei ninguém.
Olá?

Cadê aquela minha calma?
Cadê a alma que já tive aqui?
Cadê as respostas pra vida que pedi?
Cadê os pedidos que queria ouvir?

Olho de um lado pro outro,
um lado torto, olho pra mim.
Tinha alguém que não está mais ali.
Tinha alguém aqui que não estou mais.
Tem quem entenda?
Alguém me conhece?
Queria que conhecessem.