quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Quanto silêncio onde já foi riso.
Deixei a comida sendo preparada na rua e
corri com o medo do assalto.
Abri essa porta barulhenta achando que ouvia alguma voz dentro da casa.
Nesse caminho da sala até meu quarto,
o coração pulava no peito tal qual acrobata no trapézio.
Imaginei encontrar alguém nessas paredes,
alguém afim de uma conversa longa,
querendo abstrair o mundo e negar as incertezas do nosso coração.
Queria, por um instante, ouvir um causo longo
sobre alguém que não conheço
e dar uma risada monumental.
Falar da minha saudade de ver essa casa cheia,
lembrar de dias de Rango Louco, Alcione e areia,
contar das minhas veias onde corre meu novo amor.
Pra mim, parece que tudo passou na velocidade de um foguete,
fiquei adulto, fiquei chato, careta, amei demais.
E tudo isso em um só ano,
em uma voltinha ao redor do quente sol de São João del Rei.
E o quanto eu me lembrei.
Mas esse alguém dessa conversa
é esse ninguém do meu peito,
onde tudo passa do seu jeito,
onde tudo quer, sem que ninguém peça.
Acendi meu cigarro, pra acalmar o coração,
pra feder o meu quarto já cansado,
amarelar os finos dedos dessa mão.
Não nos prego como nostalgia,
tenho 20,
já fui triste
e já nem sou.
Só não quero o resto da vida só por vir,
com um ou outro aqui, outro por lá.
Queria todos juntos,
no quintal,
conversando junto à fumaça dos mil cigarros que sonhávamos em negar.
Só que ando com um vazio no meu peito,
onde tudo quero do meu jeito,
onde tudo peço, sem passar.
sábado, 17 de setembro de 2011
inconstitucionalissimamente
Busco problemas pra me entreter,
nesse sofá quebrado do quintal.
Onde escolhi cartas na noite passada,
e hoje não tenho nem cigarro pro meu mal.
Sinceramente, eu não consigo escolher
o que eu realmente sinto que quero.
E as vezes acho que ando sem sentido pro futuro.
O que antes era um conselho pra viver o agora,
se torna um apelo pela cigana que lerá a minha mão.
Esses sonhos que tenho são vagos e infinitos,
e o meu medo é de não realizá-los até o fim da vida.
Vou tentando, seguindo o conselho dos amigos.
O que tem me importado agora são as companhias.
E tenho as melhores.
Mas aqui, agora, trancado no meu quarto,
não tenho visto motivo pro meu futuro realizar,
não importa o quanto tento.
Pode ser tragédia da cabeça,
dramas do desconhecido,
ou falta do que fazer.
E então, por enquanto nem importa.
Se estou feliz agora, vou continuar fazendo o melhor pra continuar assim.
E deixa que as coisas chegam.
nesse sofá quebrado do quintal.
Onde escolhi cartas na noite passada,
e hoje não tenho nem cigarro pro meu mal.
Sinceramente, eu não consigo escolher
o que eu realmente sinto que quero.
E as vezes acho que ando sem sentido pro futuro.
O que antes era um conselho pra viver o agora,
se torna um apelo pela cigana que lerá a minha mão.
Esses sonhos que tenho são vagos e infinitos,
e o meu medo é de não realizá-los até o fim da vida.
Vou tentando, seguindo o conselho dos amigos.
O que tem me importado agora são as companhias.
E tenho as melhores.
Mas aqui, agora, trancado no meu quarto,
não tenho visto motivo pro meu futuro realizar,
não importa o quanto tento.
Pode ser tragédia da cabeça,
dramas do desconhecido,
ou falta do que fazer.
E então, por enquanto nem importa.
Se estou feliz agora, vou continuar fazendo o melhor pra continuar assim.
E deixa que as coisas chegam.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
De muitos, faltam poucos.
Talvez eu seja esse grande clichê,
mas quem não é?
Em pouco tempo, as coisas tomaram tantos rumos,
que o conforto do clichê às vezes me caia bem.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Me diga o número do teu bilhete e direi quem tu és.
E agora me carrego de sonolências,
às quase cinco da manhã.
Preocupado com o transporte
que, desculpem, fede morte
e cachaça barata.
Mas, enquanto em movimento,
me preocupo e me contento
e me vejo quase ali.
Quase perto do que uma semana pareceu tão longe pra mim.
E só agora me percebo pronto pra dormir.
Poderia ser mais cedo, a sonolência,
mas é sono lento de chegar.
Talvez pelos amores aqui no peito,
os pavores que nem sei direito,
e a vontade de te ver.
Só sei que suo frio,
mas fecho os olhos pra dormir tão bem.
Que amanhã, na estrada longa,
vou passar pelas paisagens
que sei que já passou também.
E vou feliz.
às quase cinco da manhã.
Preocupado com o transporte
que, desculpem, fede morte
e cachaça barata.
Mas, enquanto em movimento,
me preocupo e me contento
e me vejo quase ali.
Quase perto do que uma semana pareceu tão longe pra mim.
E só agora me percebo pronto pra dormir.
Poderia ser mais cedo, a sonolência,
mas é sono lento de chegar.
Talvez pelos amores aqui no peito,
os pavores que nem sei direito,
e a vontade de te ver.
Só sei que suo frio,
mas fecho os olhos pra dormir tão bem.
Que amanhã, na estrada longa,
vou passar pelas paisagens
que sei que já passou também.
E vou feliz.
sábado, 10 de setembro de 2011
Título
Sempre vejo graça no que acho que é agora.
Agora anda tão longe que nem sei.
Hoje me rodeio de alguns que não são
e de outros que são e talvez nem sejam.
Em alguns meses, sinto que sei que sou o que talvez nem seja.
E é simplicidade que me traz e leva.
Me deixo e me vou e volto.
E o frio do risco, na barriga,
adrenalina, que disse ao amigo agora a pouco.
E o amor. Que nem explicaram mas sei que sinto.
Se isso não for ser,
não sei o que é.
Se não for, me perco e sou.
De último momento.
Agora anda tão longe que nem sei.
Hoje me rodeio de alguns que não são
e de outros que são e talvez nem sejam.
Em alguns meses, sinto que sei que sou o que talvez nem seja.
E é simplicidade que me traz e leva.
Me deixo e me vou e volto.
E o frio do risco, na barriga,
adrenalina, que disse ao amigo agora a pouco.
E o amor. Que nem explicaram mas sei que sinto.
Se isso não for ser,
não sei o que é.
Se não for, me perco e sou.
De último momento.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
round my hometown
Tua força no meu peito.
ME MATA Ó SAUDOSA SAUDADE,
saúdo o que nunca tive e volto saudável pra casa.
Lembro dos tempos em que não sabia como seria esse tempo
e esqueço de tudo e volto.
Nunca volta, eu sei,
mas ficar saudoso é bom e então estou aqui pra lembrar.
Quem quiser lembrar, arrume a mala e pule na caçamba.
Je crois entendre encore
Caché sous les palmiers
Oh souvenir charmant,
Folle ivresse, doux rêve!
Sou sonho, e és também,
pelo fato de ter percebido que somos todos os mesmos,
em lugares diferentes.
Charmant Souvenir!
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Aquele ele que sou eu perto de ti e sou feliz.
E ao acordar se viu face a face
e descobriu que era isso mesmo
e não tinha por quê não ser.
E passou o dia inteiro pensando no que já tinha pensado
e leu algo do dia passado
e esperou a noite, que sabia que viria.
E veio, e continuou pensando,
e se viu face a face de novo,
e já criou um carinho enorme
e uma vontade
e uma duvida de que se não for verdade
e um medo de estar errado
e acha que não está
e é muito tímido pra achar
e tem certeza que vai mudar
porque não pode perder, por eles dois, que se precisam talvez.
E ao acordar se viu face a face,
novamente,
e se despediu pra ficar pensando
e esperando.
sábado, 3 de setembro de 2011
Na ultima noite (minha versão pra "Cornerstone" dos Arctic Monkeys)
Na fumaça daquela noite,
pensei ter te visto.
Mas acho que era apenas ótica.
Parecia o teu fantasma,
perto bastante para ser ele.
Mas perdi tudo quando perguntei se podia chamá-la pelo teu nome.
Na fumaça daquela outra noite,
achei ter te visto.
Sentada na cadeira enquanto eu tentava enxergar mais de perto.
E beijei quem quer que fosse que estivesse sentada ali,
tão perto.
E ela me abraçou firme,
até que perguntei educadamente: "por favor, me deixa te chamar pelo nome dela?"
E, no táxi de volta, pedi pelo caminho mais longo.
Teu perfume estava no cinto de segurança,
então preferi guardar os caminhos curtos pra mim mesmo.
E na fumaça da outra noite,
quase acreditei ter te visto,
brincando com o alarme de incêndio.
O som estava alto, não consegui ouvir,
e seu braço estava engessado.
Estava tão perto que até as paredes estavam molhadas,
e ela pôde escrever nelas: "não, você não pode me chamar pelo nome dela"
Me diga onde é que você se esconde,
estou realmente preocupado, acho que vou esquecer como é teu rosto.
E eu já perguntei pra todo mundo.
Começo a pensar que te imaginei esse tempo todo.
E, no táxi de volta, pedi pelo caminho mais longo.
Teu perfume estava no cinto de segurança,
então preferi guardar os caminhos curtos pra mim mesmo.
E na fumaça da ultima noite,
vi tua irmã no telefone.
Quando percebi que ela estava só,
achei que ela talvez entendesse.
Ela estava perto, quer dizer, não tinha como chegar mais perto.
E ela disse: "Eu não deveria, mas sim, você pode me chamar do que você quiser".
Não fique mal, amor não dói.
Não é pela tristeza, meu bem.
É pela esperança e o sentimento que me faz sentir.
É por não conseguir explicar.
É por querer bem, sem saber como vai.
Mas é, no fundo, pela vontade de querer saber até como não vai.
São pelos pixels em que escrevo e que há pouco eram tua face.
E pela memória, pela saudade.
Por tudo que sonhei e até vivi, nessa minha cabeça dura,
pela minha timidez ao teu olhar.
Pela vontade de explicar que me fazes bem,
por pequenas coisas assim,
pela lágrima que hoje vi e quis limpar.
E pela vontade de, se quiseres, dividir contigo esse tempo que talvez possa durar.
São por todos esses pores e pelos e pelas esse meu carinho grande,
esse amor que sou sem jeito de falar.
E se me disfarço na tua presença, é que sou criança,
ainda há pouco aprendi a andar,
mas que sei que sabes que de longe não tem nada e é só tempo e tempo é muito,
e repito: se quiseres, tens esse tempo que já tenho pra te dar.
Sobre o ponto alto da vida de qualquer ser.
Vim ao mundo nú, pequeno e mudo.
Chorei aos zero anos de idade.
Meus pés tocaram o chão frio às 14 horas de algum dia de algum mês e aprendi a andar.
Falei minhas primeiras palavras em uma noite de qualquer-feira de alguma semana.
Abracei e beijei mãe e pai todos os dias.
Conheci todas as pessoas do mundo, e conversei bastante com elas.
Me apaixonei aos 13.
Estudei Freud, Darvin, Marx, Bakunin, Brahms e Mozart.
Li Burroughts, Adams, Huxley, Kerouac, Snyder e Ginsberg.
Saí de casa aos 19.
Conheci novamente todas as pessoas do mundo, e ainda converso bastante com elas.
Agora, se me perguntas sobre o ponto alto da vida de qualquer ser,
respondo: são todos.
E cada segundo é importante e todo pensamento é válido e todo amor é vivido e toda lágrima chorada e todo riso verdadeiro e toda fala dita e todo o todo é tão necessário quanto é pra ser.
Agora, se me respondes que estou errado,
replico: então não vim ao mundo, não chorei, não andei, não falei, não abracei nem beijei, não conheci, não apaixonei...
Espera, tem algo errado nisso aí.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
O Tempo e o Bipe e a Vida e o Não e o Adeus (Tradução livre de "What Sarah Said" - Death Cab for Cutie)
E daí eu entendi que cada plano
é uma pequena reza pro tempo.
No momento em que eu me apoiava nos sapatos, naquela UTI
que fedia a mijo.
E eu controlei meu ar enquanto dizia a mim mesmo:
Já aguentei demais por hoje.
E cada bipe do monitor te levava um pouco mais longe de mim.
Entre as máquinas de refrigerantes e revistas velhas
em um lugar onde só se diz adeus,
como agulhas em um vento violento que são as nossas memórias
e que dependem de uma câmera defeituosa na nossa cabeça.
E aí eu sabia que você era uma verdade que eu preferia perder
a nunca mais deitar ao teu lado.
E eu olhei ao redor, todos olhando pro chão,
enquanto a tevê se entretia sozinha.
Pois não há conforto na espera
só passos nervosos esperando a má notícia.
E então chega a moça de branco e todos levantam a cabeça.
Mas eu estou pensando no que a Sarah disse,
que amar é ver alguém morrer.
Então quem é que vai te ver morrer?
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Alice
Alice tinha sete anos de idade
e alguns errinhos de caligrafia.
Escrevia que amava os pais,
mas amar ela nem sabia.
Dormia com sete pelúcias brancas
abraçando uma a uma.
Dizia que tinha monstros no armário,
mas sabia que monstro não existia.
Depois dos vinte, preferia os dezenove,
mas os anos passam, minha querida.
Pensava que não era nada,
e nada era o que seria.
Amou dezenove dos seus vinte amigos,
Alice enlouqueceu de paixão breve.
Matou os pais que nunca amou
e o amigo que sobrou.
No final, desmaiou, louca, trancada no banheiro,
cocaína e sangue no ralo do chuveiro,
os pulsos cortados por inteiro.
Seu final com dor e desespero.
Poeira
Pisa o pé e fica preto
no chão sujo da casa suja
e toma um banho breve
pra dormir deitado à direita.
Não sente mais vida, só dores nas costas de uma queda amortecida
e não tem amores.
Tosse da 1 às 6 da manhã e dorme com fome e sem sono.
Se pudesse, mudava tudo.
E pode.
A solidão e o sol (Ou "O brilho da noite no reflexo do teu canto")
Solene, o sol vem brilhar nas formosas horas do fim do dia,
quando acordo.
Vejo e faço um contrato: vai-te embora em uma hora
que esse que lhe aborda é da noite por escolha própria.
Mas não teimo em não deixar me esquentar por esses breves segundos,
quando acordo e o nosso acordo está fechado.
E ele vai, e sei que esquenta a casa de outrem,
que agora também acorda.
No meu fim do dia, quando abro os olhos,
percebo falhas na parede do teu quarto
e sinto o cheiro da fumaça velha da lata que é cinzeiro.
Tenho dores de garganta constantes por não ver o sol.
E aquela outra, que logo ali citei
-que agora é quente pelo sol, e não por mim-
aquela é bela e não me conhece, nem eu a ela.
Mas o mesmo sol, que me urge cinco e pouco,
acorda os galos do quintal da moça às seis e meia.
E os galos a acordam quando os meus olhos abrem,
sem saber se é pelo sol ou por mim mesmo.
Só que de lua e frio eu me contento,
e conto meia hora pra partir.
Enquanto canta o sino aqui,
no outro canto o galo canta e é hora de dormir.
Só me compenso pela dúvida
de pelo menos não saber
se um dia eu acordo galo
e ela sino.
E o sol a brilha e o brilho me acorda sem sol e eu canto
pra ela cantar.
Então continua com o nosso acordo, sol,
que quando partires eu acordo
pro resto do mundo acordar.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
sábado, 13 de agosto de 2011
Dessas noites que me pedem
E te peço que venha e brilhe os olhos
que brilham
e me tira da penumbra desse quarto.
Se tenho estado sozinho, me ajuda a passar.
Desses momentos que me quis
E me fiz bem,
amém.
Só se me quero,
já quero o mundo.
E se já deixamos de lado qualquer tipo de cuidado,
caio já na ladeira e subo ao contrário pra me ver
no espelho
às sete da manhã
longe e sem ninguém
nu
e com os olhos sem luz
e já nem sinto aliviado
e nem meço angustia
pois se minha alma pesa
e se me pesa de agonia
jogo fora e vivo sem
e não ligo e nem posso
só espero que depois
não me apareça
com os olhos de fogo
ardência no coração
e a cabeça em chamas.
Por que já não te chamas de santeiro?
Já pensa em jogar a vida no bueiro?
Espera o amor do mundo inteiro?
Pois fique longe da cebola desse canteiro.
Que de lágrimas já bastam todos.
Dessas poesias que não escrevem
Só gasto o tempo se for hora de deixar,
e singelo, o tempo gasta e deixa fio pra poder puxar.
E quando puxo o fio,
tem traços de gente que o fio foi fiando pra traz.
Se pudesse ia junto, por uns tempos.
Podia só ser hora de deixar passar.
E como podia e seria,
passa e vá com deus, que eu fico aqui sem acreditar.
Só torro o tempo se acho que é hora de torrar,
e faz tanto tempo que não torro, que fio não quer nem puxar.
Mas quando vem, e vem de jeito,
tem forma de todo mundo que deseja ficar.
Desses descuidados erros meus
Enfim te achei, tão solitária,
e ao lado estava eu incompetente pra saber.
Mas daí a gente sempre acha que todo mundo é sozinho.
E fiquei sem saber.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Aula de história, sala 2.01.
Criou histórias na sua cabeça
e com essas histórias criou o mundo,
na cabeça.
Daí achou que o mundo eram essas histórias da cabeça.
E ficou triste.
E esqueceu de viver.
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