"Tudo em seu tempo", ela disse.
E sumiu.
O que me resta então é esse tempo que insiste em não passar,
acordando os dias com a memória de uma noite, a única que dividimos.
Então apressa-te, mesmo que essa pressa demore.
Meu peito aguenta só mais algumas pancadas até endurecer
e, quando isso acontecer, não sei o que vai ser de mim
segunda-feira, 6 de junho de 2016
sábado, 4 de junho de 2016
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Faço de mim a pedra na ponta final do abismo
e então eu mesmo chego e chuto a pedra na ponta final do abismo
mas escorrego e não consigo a atingir a pedra na ponta final do abismo
então, desajeitado, caio do abismo onde fica a pedra na ponta final do abismo
e, como fiz de mim a pedra na ponta final do abismo,
me observo cair do abismo
me ralo, me quebro, morro
mas ainda sou a pedra na ponta final do abis...
Ah, pulei também
e então eu mesmo chego e chuto a pedra na ponta final do abismo
mas escorrego e não consigo a atingir a pedra na ponta final do abismo
então, desajeitado, caio do abismo onde fica a pedra na ponta final do abismo
e, como fiz de mim a pedra na ponta final do abismo,
me observo cair do abismo
me ralo, me quebro, morro
mas ainda sou a pedra na ponta final do abis...
Ah, pulei também
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Tem vezes que penso te querer de novo
Tem vezes que penso te querer de novo
O sorriso fácil
A dança na rua
As noites suadas com gosto de vinho e gemidos no ouvido
O corpo de mulher com alma de menina
Nosso sexo longo e febril
Os devaneios sobre a existência
As alimentações improvisadas
A leitura no parque
Tudo em um final de semana
Que terminava como terminou
Eu aqui, pensando em te querer de novo,
Você aí, dizendo me querer sempre,
E nenhum dos dois juntos
E nenhum dos dois sozinhos
Mas tem vezes que penso te querer de novo
E tem vezes que quero
O sorriso fácil
A dança na rua
As noites suadas com gosto de vinho e gemidos no ouvido
O corpo de mulher com alma de menina
Nosso sexo longo e febril
Os devaneios sobre a existência
As alimentações improvisadas
A leitura no parque
Tudo em um final de semana
Que terminava como terminou
Eu aqui, pensando em te querer de novo,
Você aí, dizendo me querer sempre,
E nenhum dos dois juntos
E nenhum dos dois sozinhos
Mas tem vezes que penso te querer de novo
E tem vezes que quero
Uma rima no final, pra parecer bonito o clichê
Essa noite de chuva me faz pensar em você.
Na verdade, qual noite não tem me feito isso?
Então me deixo assim, pensando
e quando vejo, já fui longe
As gotas molham a janela do meu quarto.
Sinto-as em mim,
como teus dedos gelados poderiam ter sido
E enquanto escuto os gotejos, penso que também os ouve
E cala
Tão bom é o silêncio pra sonhar
Então cogito parar de pensar:
Talvez te traga pra perto
Mas, de longe, deixo o pensamento na enxurrada
Só penso em você e mais nada
Na verdade, qual noite não tem me feito isso?
Então me deixo assim, pensando
e quando vejo, já fui longe
As gotas molham a janela do meu quarto.
Sinto-as em mim,
como teus dedos gelados poderiam ter sido
E enquanto escuto os gotejos, penso que também os ouve
E cala
Tão bom é o silêncio pra sonhar
Então cogito parar de pensar:
Talvez te traga pra perto
Mas, de longe, deixo o pensamento na enxurrada
Só penso em você e mais nada
quarta-feira, 18 de maio de 2016
Meus sinceros sentidos
Do tato que roçou com a mão a pele veio o cheiro de perfume entre os dedos e o breve gosto do beijo rápido, quase indo
Sinto
Mas não "sinto muito"
Ou sinto?
Sinto
Mas não "sinto muito"
Ou sinto?
domingo, 8 de maio de 2016
Naquele tempo as bandeiras tremulavam solitárias.
Veja bem...
Bandeiras, depois de pregadas ao solo, são deixadas apenas para dançar ao vento.
Os dias de luta, o sangue derramado, o suor daqueles que carregaram não só o estandarte, mas a coragem para lutar por ideias, tudo isso é pregado ao solo junto às bandeiras.
E deixados.
Veja bem...
Bandeiras, depois de pregadas ao solo, são deixadas apenas para dançar ao vento.
Os dias de luta, o sangue derramado, o suor daqueles que carregaram não só o estandarte, mas a coragem para lutar por ideias, tudo isso é pregado ao solo junto às bandeiras.
E deixados.
segunda-feira, 7 de março de 2016
Dois barcos - Cap. I
Eram dois navios que oscilavam, longe, num grande mar de infinidades. Afastados pelo espaço e pelo tempo, mas com um destino comum.
Chegariam em algum ponto, o mesmo ponto, lugar em que seus trajetos não seriam mais importantes.
Ali, provavelmente, seria conclusivo que nem deveriam ter existido.
E ainda assim eram dois barcos, navegando pelo espaço-tempo.
O casco de um, desgastado pelas marés, trazia marcas e cicatrizes vorazes, resistindo ofegantes às investidas do sempre violento mar. Rangiam alto, ritmadas pelo som da antiguidade, mas nunca cediam ao avanço contrário das águas.
O casco do outro tinha o verniz reluzente à luz laranja do pôr-do-sol. Cortava as ondas como faca afiada e quente, passando pela carne ainda fresca. Navegava na velocidade do vento e não havia nada que o pudesse parar. Era um raio de luz que todos viam e segundos depois não estava mais lá.
Eram contrários e, sem saber, ainda tinham seu encontro.
Chegariam em algum ponto, o mesmo ponto, lugar em que seus trajetos não seriam mais importantes.
Ali, provavelmente, seria conclusivo que nem deveriam ter existido.
E ainda assim eram dois barcos, navegando pelo espaço-tempo.
O casco de um, desgastado pelas marés, trazia marcas e cicatrizes vorazes, resistindo ofegantes às investidas do sempre violento mar. Rangiam alto, ritmadas pelo som da antiguidade, mas nunca cediam ao avanço contrário das águas.
O casco do outro tinha o verniz reluzente à luz laranja do pôr-do-sol. Cortava as ondas como faca afiada e quente, passando pela carne ainda fresca. Navegava na velocidade do vento e não havia nada que o pudesse parar. Era um raio de luz que todos viam e segundos depois não estava mais lá.
Eram contrários e, sem saber, ainda tinham seu encontro.
domingo, 6 de março de 2016
Versinhos para uma cabana nas montanhas
A grama seca da neve que passou.
Ao lado, a lenha que sobrou dos fogos que acendi ali.
Eu, parado, contemplo tudo, aqui.
Não tenho resposta pra nada
só viver e lembrar do que vivi.
Lá fora ela corre, dança,
o vestido gira no contorno do vento,
aguarda o chá que aqui dentro esquento.
Já nem lembro da grande cidade, do pequeno apartamento.
Tudo é lento
não duvido, só alento e agradeço.
O que há de vir virá
Em paz.
Só existe a paz.
Ao lado, a lenha que sobrou dos fogos que acendi ali.
Eu, parado, contemplo tudo, aqui.
Não tenho resposta pra nada
só viver e lembrar do que vivi.
Lá fora ela corre, dança,
o vestido gira no contorno do vento,
aguarda o chá que aqui dentro esquento.
Já nem lembro da grande cidade, do pequeno apartamento.
Tudo é lento
não duvido, só alento e agradeço.
O que há de vir virá
Em paz.
Só existe a paz.
A moça do bosque
Ela era grande, a linda pequena mulher que cantarolava pelo bosque
sozinha.
Rodava seu vestido e, enquanto envelhecia, o tecido continuava na sinuosa dança.
Centrífuga, disseram sobre ela.
Quando girava, entrava em ressonância com a Terra,
a mesma frequência.
Ela está em consonância com tudo,
em harmonia, como sonhavam os antigos.
Uma das mais belas músicas cantadas pelo universo.
sozinha.
Rodava seu vestido e, enquanto envelhecia, o tecido continuava na sinuosa dança.
Centrífuga, disseram sobre ela.
Quando girava, entrava em ressonância com a Terra,
a mesma frequência.
Ela está em consonância com tudo,
em harmonia, como sonhavam os antigos.
Uma das mais belas músicas cantadas pelo universo.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
domingo, 29 de novembro de 2015
Olívia
Dizem que o medo sempre surge na hora.
No pulo do gato.
Mergulhando em terra, lama, água ou mato,
vamos sentir o gosto da relva e só:
o medo paralisa a garganta,
como na corda um nó.
Olívia se deteve a pensamentos.
Decidiu que, se houvesse momento, falaria.
Estava entediada, fosse tempestade ou calmaria.
Naquele domingo saudoso se expôs ao sol do meio dia:
estava branca. Um tanto pálida, sua mãe dizia - sem cessar.
"Quem dera em Minas houvesse mar"
Mas não havia.
Então ela, Olívia, calma por si só, resolveu desentristecer.
Comprou uma passagem pra longe,
onde tem vento e o sol não esconde,
onde qualquer um pode viver.
E no caminho, mesmo quando bateu saudade,
a menina se pôs a pensar:
"de quê me adianta a falta do que já tive,
se além-mar não me importa subida, declive,
apenas vou estar."
E assim Olívia seguiu pra frente.
Sem pensar em casa, parente.
Ela foi...
No pulo do gato.
Mergulhando em terra, lama, água ou mato,
vamos sentir o gosto da relva e só:
o medo paralisa a garganta,
como na corda um nó.
Olívia se deteve a pensamentos.
Decidiu que, se houvesse momento, falaria.
Estava entediada, fosse tempestade ou calmaria.
Naquele domingo saudoso se expôs ao sol do meio dia:
estava branca. Um tanto pálida, sua mãe dizia - sem cessar.
"Quem dera em Minas houvesse mar"
Mas não havia.
Então ela, Olívia, calma por si só, resolveu desentristecer.
Comprou uma passagem pra longe,
onde tem vento e o sol não esconde,
onde qualquer um pode viver.
E no caminho, mesmo quando bateu saudade,
a menina se pôs a pensar:
"de quê me adianta a falta do que já tive,
se além-mar não me importa subida, declive,
apenas vou estar."
E assim Olívia seguiu pra frente.
Sem pensar em casa, parente.
Ela foi...
Ciclo
Sei que já passei do tempo
que estou além do breve momento que já tive.
Mas o aperto no peito,
esquerdo, direito,
ainda sobrevive.
Quantas insanidades devo viver,
ver o dia cair, amanhecer,
até que abro um sorriso?
Quantas contas hei de fazer,
acordar, vestir, correr,
até aparecer morto, no piso?
que estou além do breve momento que já tive.
Mas o aperto no peito,
esquerdo, direito,
ainda sobrevive.
Quantas insanidades devo viver,
ver o dia cair, amanhecer,
até que abro um sorriso?
Quantas contas hei de fazer,
acordar, vestir, correr,
até aparecer morto, no piso?
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Renúncia póstuma ao amor (a)guardado
Tantos amores perdidos, passados.
Tantos nós que não foram.
Queria saber de quantas sofridas
subidas, descidas
é feito o sal desse mar de morros.
Tantos nós que não foram.
Queria saber de quantas sofridas
subidas, descidas
é feito o sal desse mar de morros.
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