Sobre tudo o que eu quis.
Quando a gente é criança, a gente costuma sonhar alto, se perder em criações de como seria a nossa juventude. O mundo sempre parecia algo bem quente, aconchegante e nem um pouco preocupante, e sonhávamos que ele seria disso para melhor. Crianças têm uma habilidade incrível de sentir o tempo passar vagarosamente, sentir cada segundo como se fossem horas, e passar horas a fio imaginando coisas realmente boas sobre o futuro.
As músicas não faziam tanto sentido como fazem hoje, mas a audição nunca me foi um ponto forte na infância. Eu sempre queria ter tudo ao mesmo tempo, verouvirfalarcorrer, dormir era algo inexistente!
Não, não vim aqui dizer sobre sonhos infantis, só quis relembrar uma parte boa da vida de qualquer pessoa com a mesma grade social que a minha. Também não vim discutir a fome na Somália, onde a unica fase da maioria é a infância, e ela não chega nem perto de ser boa.
Vim aqui falar sobre aquelas vontades loucas de realizar planos infalíveis, de armar o plano em si. De pensar mil vezes antes de fazer, de planejar tudo da forma mais correta, e ter a certeza de que tudo irá dar certo. Coisas banais? Para a maioria da sociedade, sim. Para mim não, para mim essas coisas são as mais importantes, mais até do que uma crença ou religião, as quais não possuo nem compartilho.
A forma atual de pensar é nada mais do que banal, e eu prefiro não me misturar com a massa não-pensante da sociedade, e, como não existe uma massa pensante e sim uma minúscula porção excluída, eu prefiro pensar sozinho. Se eu dissesse tudo o que é a minha filosofia de vida, eu seria realmente um excluído, mas não ligo para isso. A questão é: o sonho.
Não, não aquele sonho que você tem quando vai dormir. O sonho que quero falar pode ser sinônimo de vontade. Uma vontade louca, infinita (e normalmente infindável) de fazer coisas de enorme valor sentimental. Tá, tudo bem, certas vezes podemos incluir um valor material aí, mas não acho que seja digno de ser chamado de sonho. Também não vou discutir valores capitalistas, eu sou feliz pela escolha socioeconomica do meu país!
Retomando: essa vontade louca de largar tudo, de fazer o que for preciso para que tudo - mesmo sendo muito pouca coisa - dê certo. Uma vontade de trilhar um caminho tortuoso para garantir nada mais que sentimentos que interpretamos serem bons. Sim, me considero romântico até demais, mas infelizmente tenho uma forma quântica de pensar. Não vim para discutir dinâmicas criacionais ou o escambau. Não acredito na felicidade, acredito em sentimentos bons.
Esses tais sonhos que eu venho cultivando há muito tempo me fazem acreditar em um sistema binário, onde há a necessidade de algo ser jogado fora. Eu, como um grande apologista desse tal sistema, acredito piamente que tudo deve ser jogado pro alto para se conseguir a tão desejada coisa, mas me parece que quase ninguém está disposto a largar seus tão preciosos bens, sejam eles materiais ou não, para ir em busca do que mais querem.
Digo: não se iludam com alguma outra vida, se iluda com essa e corra atrás dessa ilusão, lembre-se do maldito sistema binário, lembre-se de tudo e, quem sabe, tudo se encaixe em um exímio efeito dominó, e todos possamos ter sentimentos bons. Não, não quero dividir minha forma de pensar, nem falar como um messias em prol da salvação mundial (realmente não acredito que tal coisa exista). Sou exorbitantemente egoísta ao lhe dizer essas coisas, penso: se der certo, nada irá se impor a ninguém, inclusive a mim, e eu poderei cumprir e obter minhas tão cobiçadas vontades. Hahaha, não, não vim discutir meus pensamentos.
Sinceramente, acho que não vim fazer nada aqui e acabei falando até demais. Adeus.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Uma conversa comigo mesmo, e algumas indiretas para certa pessoa certa.
O tempo passa e a gente chega a esquecer sobre as coisas que aconteceram, e que gostaríamos que acontecessem. Finais de semana com os amigos. Tempos realmente bons, e eu pensava que isso só aconteceria ao teu lado. Mas descobri que eu estava ao lado das pessoas certas, que sabem me fazer feliz. Não que você não seja a pessoa certa, eu só não sei se você acha que eu sou.
Não procuro mais saber sobre isso. Acho que esse tempo passou, agora (como sempre, incrívelmente) eu só espero que, como aconteceu comigo, as coisas mudem e todos que precisam abrir os olhos o façam.
Eu sou um ser mutável, acho que todos já perceberam isso. Mas minha base não muda, e nunca irá mudar (eu espero), e é com essa base que eu vou seguir para o resto da minha vida, e "num dia desses, num desses encontros casuais, talvez a gente se encontre...".
Tá bom, eu sei que tudo isso é sentimental demais, e que a realidade de hoje em dia nunca foi e nem vai ser assim, mas eu nunca me enquadrei no "hoje em dia". Essa coisa de que tudo é enlatado é real, idéias e ideais enlatados. Eu odeio latas!
Ok! Vou voltar a ser tudo o que eu nunca fui, aquele paradoxo que envolve minha cabeça e que deixa (sempre deixou) minha visão fosca. Eu perdi o foco há muitos anos, mas, como disse um grande amigo, "sanidade é dispensável". Continuarei aqui, tentando enxergar como um ser humano, sem crenças, como deve ser.
Espero só que tudo se resolva, porque, se tudo der certo, talvez a felicidade (a coisa mais incerta, e mais desgraçada do mundo) pode chegar por alguns instantes e fazer valer toda uma vida. Eu sei que fui muito louco por ter sido como eu sempre fui, mas a loucura sempre fez parte de mim. Agora eu quero abaixar meus olhos, ler um bom livro, ouvir uma boa música e me deixar levar. Quem sabe um dia a gente não se encontre? Tudo o que eu falei antes ainda é válido, e aquela frase que eu disse vai sempre (sempre) existir e valer. Talvez tudo isso seja a maior baboseira do mundo para quem estiver lendo, inclusive você, mas pra mim faz todo o sentido do mundo. Não me importo com o mundo, nem com as filosofias de vida deturpadas pela globalização ou pela banalização de todo e qualquer sentimento.
Sim, eu disse demais. Adeus, e que tudo volte ao normal, ou que nada nunca volte ao normal. Tudo ou nada. Ninguém = Ninguém.
O tempo passa e a gente chega a esquecer sobre as coisas que aconteceram, e que gostaríamos que acontecessem. Finais de semana com os amigos. Tempos realmente bons, e eu pensava que isso só aconteceria ao teu lado. Mas descobri que eu estava ao lado das pessoas certas, que sabem me fazer feliz. Não que você não seja a pessoa certa, eu só não sei se você acha que eu sou.
Não procuro mais saber sobre isso. Acho que esse tempo passou, agora (como sempre, incrívelmente) eu só espero que, como aconteceu comigo, as coisas mudem e todos que precisam abrir os olhos o façam.
Eu sou um ser mutável, acho que todos já perceberam isso. Mas minha base não muda, e nunca irá mudar (eu espero), e é com essa base que eu vou seguir para o resto da minha vida, e "num dia desses, num desses encontros casuais, talvez a gente se encontre...".
Tá bom, eu sei que tudo isso é sentimental demais, e que a realidade de hoje em dia nunca foi e nem vai ser assim, mas eu nunca me enquadrei no "hoje em dia". Essa coisa de que tudo é enlatado é real, idéias e ideais enlatados. Eu odeio latas!
Ok! Vou voltar a ser tudo o que eu nunca fui, aquele paradoxo que envolve minha cabeça e que deixa (sempre deixou) minha visão fosca. Eu perdi o foco há muitos anos, mas, como disse um grande amigo, "sanidade é dispensável". Continuarei aqui, tentando enxergar como um ser humano, sem crenças, como deve ser.
Espero só que tudo se resolva, porque, se tudo der certo, talvez a felicidade (a coisa mais incerta, e mais desgraçada do mundo) pode chegar por alguns instantes e fazer valer toda uma vida. Eu sei que fui muito louco por ter sido como eu sempre fui, mas a loucura sempre fez parte de mim. Agora eu quero abaixar meus olhos, ler um bom livro, ouvir uma boa música e me deixar levar. Quem sabe um dia a gente não se encontre? Tudo o que eu falei antes ainda é válido, e aquela frase que eu disse vai sempre (sempre) existir e valer. Talvez tudo isso seja a maior baboseira do mundo para quem estiver lendo, inclusive você, mas pra mim faz todo o sentido do mundo. Não me importo com o mundo, nem com as filosofias de vida deturpadas pela globalização ou pela banalização de todo e qualquer sentimento.
Sim, eu disse demais. Adeus, e que tudo volte ao normal, ou que nada nunca volte ao normal. Tudo ou nada. Ninguém = Ninguém.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Fica e passa, pacifica.
Não entendo o jogo de palavras absurdas e sem nexo que eu não leio. Acho que ninguém entende o que não lê. Mas quando a gente lê, já é outra história.
Paradoxo constante imperfeito: Talvez saia um conto sangrento e maléfico o bastante pra sujar todo esse blog de pura tripa. Nah, vou escrever sobre televisores.
Não entendo o jogo de palavras absurdas e sem nexo que eu não leio. Acho que ninguém entende o que não lê. Mas quando a gente lê, já é outra história.
Paradoxo constante imperfeito: Talvez saia um conto sangrento e maléfico o bastante pra sujar todo esse blog de pura tripa. Nah, vou escrever sobre televisores.
domingo, 6 de abril de 2008
domingo, 30 de março de 2008
sábado, 29 de março de 2008
terça-feira, 25 de março de 2008
ai ai como eu adoro compor musicas que eu nunca vou gravar!
kidnapped by your eyes
sometimes we find the right person
at the wrong time.
and maybe everyone should ask why
somethings we said should not be listen
and other things we know should've been told
so why can't i reach your hair?
can you please tell me what to do there?
if we were alone
if we were just talking about
things that should've happened
and things we should've done.
and now i'm here waiting
for something to come
and now i'm here wondering
if you've been wondering about me too
la la la la la laa la la la lala
la la la la la laa la la lala
and now i'm here wondering...
i can only see your eyes through some pictures
and i can't feel your smell.
i can only talk to you through words we cannot hear
so how can you love me the way i love you?
goodnight
kidnapped by your eyes
sometimes we find the right person
at the wrong time.
and maybe everyone should ask why
somethings we said should not be listen
and other things we know should've been told
so why can't i reach your hair?
can you please tell me what to do there?
if we were alone
if we were just talking about
things that should've happened
and things we should've done.
and now i'm here waiting
for something to come
and now i'm here wondering
if you've been wondering about me too
la la la la la laa la la la lala
la la la la la laa la la lala
and now i'm here wondering...
i can only see your eyes through some pictures
and i can't feel your smell.
i can only talk to you through words we cannot hear
so how can you love me the way i love you?
goodnight
sábado, 22 de março de 2008
Sou um cara nem um pouco normal em quem as regras de conduta da sociedade não se aplicam. Não consigo fazer o que todos fazem, e não me sinto feliz quando faço. Sou um cara estranho.
Eu sei que ninguém se importa de me conhecer, mas eu me importo de conhecer todos, e fazer com que eles sintam-se bem. Não sei fazer as coisas da maneira correta ou pelo menos da maneira normal. Não sei o que é ter um comportamento normal. Não escuto músicas normais. Não consigo sorrir sem ter vontade, e normalmente estou com aquela cara de tédio.
Sim, o tédio me domina de uma forma absurdamente grande. Me deixo viver aqui e ali de uma forma um tanto intensa que acho que as coisas acabam rápido demais e sempre sobra um tempo enorme para ficar olhando para o nada.
Antigamente eu me alimentava muito vagarosamente, eu apreciava a comida. Agora eu simplesmente como, numa velocidade monumental. Queria poder apreciar as coisas denovo, mas parece que eu aproveitei tudo tão rápido que elas acabaram por sumir, desaparecer. E agora eu espero que coisas novas apareçam e que eu possa ter a chance de apreciá-las da melhor maneira possível.
Mas eu sempre espero que elas apareçam, porque nas vezes que eu tentei correr atrás elas não funcionaram corretamente. Caso alguém tenha uma proposta de felicidade, fale agora ou fale depois, mas nunca cale-se para sempre.
Eu sei que ninguém se importa de me conhecer, mas eu me importo de conhecer todos, e fazer com que eles sintam-se bem. Não sei fazer as coisas da maneira correta ou pelo menos da maneira normal. Não sei o que é ter um comportamento normal. Não escuto músicas normais. Não consigo sorrir sem ter vontade, e normalmente estou com aquela cara de tédio.
Sim, o tédio me domina de uma forma absurdamente grande. Me deixo viver aqui e ali de uma forma um tanto intensa que acho que as coisas acabam rápido demais e sempre sobra um tempo enorme para ficar olhando para o nada.
Antigamente eu me alimentava muito vagarosamente, eu apreciava a comida. Agora eu simplesmente como, numa velocidade monumental. Queria poder apreciar as coisas denovo, mas parece que eu aproveitei tudo tão rápido que elas acabaram por sumir, desaparecer. E agora eu espero que coisas novas apareçam e que eu possa ter a chance de apreciá-las da melhor maneira possível.
Mas eu sempre espero que elas apareçam, porque nas vezes que eu tentei correr atrás elas não funcionaram corretamente. Caso alguém tenha uma proposta de felicidade, fale agora ou fale depois, mas nunca cale-se para sempre.
sexta-feira, 21 de março de 2008
quinta-feira, 20 de março de 2008
segunda-feira, 17 de março de 2008
A palavra é magnífica, e, com tal tecnologia, ultrapassa as barreiras do imaginável. Palavras são sublimes, até mesmo o mais insano ser consegue pronunciá-las e senti-las.
São formas, fônicas ou gráficas, que encontramos para explicar tamanha complexidade de energia que atravessa por neorônios. Recebemos estímulos e esses se transformam em palavras. Por fim: palavra é sentimento.
Sentimento puro, nem na mentira mais falsa não há falta de sentimento. Sim, sou homem racional e pensante, mas, acima de tudo, sou homem que fala palavra. Porém, se palavra é sentimento e sentimento é, de fato, uma palavra, não seria sentimento apenas uma forma que
encontramos para descrever a palavra?
Acho que não, a palavra não é sentimento, ela o descreve.
Diante de tais palavras me releio e percebo: a palavra é irrelevante. O que ela esconde é que é magnífico.
São formas, fônicas ou gráficas, que encontramos para explicar tamanha complexidade de energia que atravessa por neorônios. Recebemos estímulos e esses se transformam em palavras. Por fim: palavra é sentimento.
Sentimento puro, nem na mentira mais falsa não há falta de sentimento. Sim, sou homem racional e pensante, mas, acima de tudo, sou homem que fala palavra. Porém, se palavra é sentimento e sentimento é, de fato, uma palavra, não seria sentimento apenas uma forma que
encontramos para descrever a palavra?
Acho que não, a palavra não é sentimento, ela o descreve.
Diante de tais palavras me releio e percebo: a palavra é irrelevante. O que ela esconde é que é magnífico.
sábado, 15 de março de 2008
sexta-feira, 14 de março de 2008
quarta-feira, 12 de março de 2008
Salvação
Fazendo guerra e poesia,
falando merda e hipocrisia,
estudando história e arte,
poluindo e fazendo sua parte.
Fala o povo rouco e louco,
desdentado e esfomeado.
Falam os prédios e subúrbios,
pedem vida, morte,
paz e sorte.
Sente o poder subir,
sente o gás fluir.
Mata mil e continua sério,
morre sufocado no próprio império.
Fazendo guerra e poesia,
falando merda e hipocrisia,
estudando história e arte,
poluindo e fazendo sua parte.
Fala o povo rouco e louco,
desdentado e esfomeado.
Falam os prédios e subúrbios,
pedem vida, morte,
paz e sorte.
Sente o poder subir,
sente o gás fluir.
Mata mil e continua sério,
morre sufocado no próprio império.
terça-feira, 11 de março de 2008
Eyes Closed
Eu costumava ver traços e cores, agora não sei nem o que significa o tal verbo. Tudo parecia ser tão colorido, tão cheio de vida, todas aquelas cores piscando e brilhando em frente aos meus jovens olhos nem um pouco cansados. A vida era uma maravilha que explodia de felicidade, tudo era motivo para dar sorrisos e risadas. Acho que essa paz de espírito que reinava sobre o mundo causou um tanto de inveja sobre os que não tinha tal privilégio.
Causou tanta inveja que a minoria derrubou a maioria, e tudo começou a parecer estar à beira de um colapso, e realmente estava. Agora as cores foram substituídas por cinzas de uma guerra interminável. Tudo ficou preto e branco, mas ainda havia certos traços de alegria, se esgueirando pelas rachaduras dos prédios e complexos urbanos. A alegria de muitos se tornou de poucos, e até aquela minoria invejosa que fez o mundo ser destruído se sentia sem felicidade.
Aqueles certos traços que citei, que pareciam o começo de uma revolução pró-felicidade, acabaram por se tornar fagulhas que apagaram e se juntaram às cinzas. E tudo o que restou foram gritos de raiva, de dor, de fome, e o que era um mundo se tornou algo inabitável. Tudo foi se enrugando, inclusive eu. Não quis mais ver tudo aquilo acontecendo.
Sentei na minha cadeira de balanço, rodeado por poeira e mofo, e fechei meus olhos. Anos se passaram, não sei mais como é meu rosto, ou como está minha casa. Não sei mais se existo. Não que eu sentisse que existia antes de fechar meus olhos, mas aquelas lembranças do colorido me fazem pensar: E o resto, os de olhos abertos, eles ainda existem? Ou pensam que existem? Será que conseguiram reacender as fagulhas? Será que o preto e branco tomou conta até dos seus corações, ou eles fecharam seus olhos como eu e estão se perguntando o mesmo?
Eu costumava ver traços e cores, agora não sei nem o que significa o tal verbo. Tudo parecia ser tão colorido, tão cheio de vida, todas aquelas cores piscando e brilhando em frente aos meus jovens olhos nem um pouco cansados. A vida era uma maravilha que explodia de felicidade, tudo era motivo para dar sorrisos e risadas. Acho que essa paz de espírito que reinava sobre o mundo causou um tanto de inveja sobre os que não tinha tal privilégio.
Causou tanta inveja que a minoria derrubou a maioria, e tudo começou a parecer estar à beira de um colapso, e realmente estava. Agora as cores foram substituídas por cinzas de uma guerra interminável. Tudo ficou preto e branco, mas ainda havia certos traços de alegria, se esgueirando pelas rachaduras dos prédios e complexos urbanos. A alegria de muitos se tornou de poucos, e até aquela minoria invejosa que fez o mundo ser destruído se sentia sem felicidade.
Aqueles certos traços que citei, que pareciam o começo de uma revolução pró-felicidade, acabaram por se tornar fagulhas que apagaram e se juntaram às cinzas. E tudo o que restou foram gritos de raiva, de dor, de fome, e o que era um mundo se tornou algo inabitável. Tudo foi se enrugando, inclusive eu. Não quis mais ver tudo aquilo acontecendo.
Sentei na minha cadeira de balanço, rodeado por poeira e mofo, e fechei meus olhos. Anos se passaram, não sei mais como é meu rosto, ou como está minha casa. Não sei mais se existo. Não que eu sentisse que existia antes de fechar meus olhos, mas aquelas lembranças do colorido me fazem pensar: E o resto, os de olhos abertos, eles ainda existem? Ou pensam que existem? Será que conseguiram reacender as fagulhas? Será que o preto e branco tomou conta até dos seus corações, ou eles fecharam seus olhos como eu e estão se perguntando o mesmo?
domingo, 9 de março de 2008
sábado, 8 de março de 2008
Rádio ligado
Troco estações porque
Não sei o som que você
Pode odiar
No supermercado
Eu tento escolher
O mesmo sabor que você
Deve gostar
Se é que conheço você
Só de te observar
Posso apostar que não vai
Me decepcionar
Mas que anormal
Eu devo ser
Pra ver você
Em todo lugar
Dentro do quarto
Vejo comerciais
Qual vai te convencer
Que ainda estou lá
Troco estações porque
Não sei o som que você
Pode odiar
No supermercado
Eu tento escolher
O mesmo sabor que você
Deve gostar
Se é que conheço você
Só de te observar
Posso apostar que não vai
Me decepcionar
Mas que anormal
Eu devo ser
Pra ver você
Em todo lugar
Dentro do quarto
Vejo comerciais
Qual vai te convencer
Que ainda estou lá
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