Dorme o velho bêbado
na rua
muda
Passa o carro e absorve
O velho dorme
Passos largos no caminho
de volta pra casa que nunca teve
e volta
A revolta longe, já nem lembra.
O que recorda é o velho pesar
a pipa que não voa mais,
nem voará
O que relembra e enaltece
é o mundo que esquece em cada gole de cachaça
e tenta viver, e tudo passa
mas nada há de passar
E dorme pra esquecer
que acorda no dia seguinte
pra querer dormir
terça-feira, 19 de julho de 2016
relógico
Cada qual tem um tempo
cada tempo pulsa
e pulsa
tic
Cada metro quadrado
aguardado
pulsa
Todo espaço no seu tempo
e a cada contratempo
momento
tac
E se pudesse viver o instante
cada alçada ante
penitência
tic
E se quisesse saber do futuro
um belo e velho muro
teria consentimento
É que de novo
tac
E que de velho
tic
E toc
o mundo
Prefere viver de desalento
Se o canto já passou
e a lástima engessou
o que lhe resta é contento
cada tempo pulsa
e pulsa
tic
Cada metro quadrado
aguardado
pulsa
Todo espaço no seu tempo
e a cada contratempo
momento
tac
E se pudesse viver o instante
cada alçada ante
penitência
tic
E se quisesse saber do futuro
um belo e velho muro
teria consentimento
É que de novo
tac
E que de velho
tic
E toc
o mundo
Prefere viver de desalento
Se o canto já passou
e a lástima engessou
o que lhe resta é contento
sexta-feira, 15 de julho de 2016
Ontem fui ao cinema sozinho, esperando te ver por lá. Pensei que, entre todas as cadeiras vazias, uma estaria cheia de ti e era ao lado que eu iria sentar.
Ontem fui ao cinema sozinho e, ao findar do filme, levantei rápido para ver se estavas ali. Te vi em todos os rostos chorosos e solitários, mas em nenhum te encontrei.
Ontem fui ao cinema sozinho, esperando dividir um cigarro contigo na volta. Como não estavas por lá, andei sozinho o calçadão, atravessei a rua, subi o morro, entrei em casa, deitei e dormi.
Ontem fui ao cinema sozinho e, ao findar do filme, levantei rápido para ver se estavas ali. Te vi em todos os rostos chorosos e solitários, mas em nenhum te encontrei.
Ontem fui ao cinema sozinho, esperando dividir um cigarro contigo na volta. Como não estavas por lá, andei sozinho o calçadão, atravessei a rua, subi o morro, entrei em casa, deitei e dormi.
sábado, 9 de julho de 2016
Alumia
Nasce o sol de luz
e alumia
distancia o LED
dos olhos claros
e, claro, sorria
Nasce o sol alumiando
e esquenta
a pele vermelha
sadia;
Alumia aqui o riso fácil
Nasce o sol e me alegria
e alumia
distancia o LED
dos olhos claros
e, claro, sorria
Nasce o sol alumiando
e esquenta
a pele vermelha
sadia;
Alumia aqui o riso fácil
Nasce o sol e me alegria
sexta-feira, 8 de julho de 2016
A coincidência de uma morada comum
É estranho ver em tua antiga casa outra mulher que me seduz.
Lembro-me exato do dia em que se mudara pra cá. Tão cheia de alegrias, em contraste com o tamanho da bagagem que carregava. Teus sonhos ainda vivem aqui, imagino, nunca realizados.
Enquanto converso com ela, é recorrente que teu fantasma apareça, de camisola preta e uma taça de vinho nas mãos.
Nosso assunto é sempre rodeado de nostalgia minha.
Será que a nova amiga percebe os rodeios que faço nas palavras para ter tempo de lembrar de você?
Acredito que não.
Então me deleito. Decorei teus passos nesses anos passados. Te vejo caminhar em todos os cômodos, falando as graças e perturbações que sempre dividíamos. Acariciando o gato com nome amarelo, apertando-lhe as bochechas felinas.
Digo à moça que preciso interromper o assunto para ir ao banheiro. E neste cômodo tudo está diferente. Com iluminação mais forte, fica confuso relembrar as cenas que tivemos. Te vejo escovando os dentes, penteando os cabelos. Abro a porta do box devagar, para que soe desapercebido.
Lembro de fazer amor no banho. Te lavar o corpo devagar enquanto falamos de trivialidades e nos beijamos.
Na volta, a garota está na cozinha. Abraço-a quase como te abraçava, por detrás, frente à pia. Beijo-a ali, mas tenho o cuidado de que o beijo seja de modo diferente, talvez menos amoroso. Meus gestos para com você estão guardados nessa casa e aqui permanecerão (sem serem novamente utilizados - nunca).
Nos amamos em teu antigo quarto. Com outra configuração, mas definitivamente o mesmo. Escuto os novos ecos, de novos suspiros, ressonando nas mesmas paredes que os antigos suspiros teus.
Quando descanso, suado, acaricio os cabelos do novo amor e penso neste quarto.
Foi aqui que me dissera adeus.
Nesse mesmo lugar onde deito exausto, ficou o nosso amor.
Tento não lembrar das lágrimas, mas emociono. Aqui, neste mesmo ar, deve ter sobrado resquício líquido da lamentação que derramamos por conta do fim de um tempo. Nosso pequeno tempo.
Então, ainda acariciando a outra, vou fechando os olhos. Não sei se espero sonhar os sonhos que tive aqui naquelas noites. Não sei se espero que, ao acordar, o quarto esteja de um jeito antigo - o jeito teu - e ao meu lado os teus cabelos longos.
Na verdade, não espero nada.
Nunca mais voltarei aqui.
Lembro-me exato do dia em que se mudara pra cá. Tão cheia de alegrias, em contraste com o tamanho da bagagem que carregava. Teus sonhos ainda vivem aqui, imagino, nunca realizados.
Enquanto converso com ela, é recorrente que teu fantasma apareça, de camisola preta e uma taça de vinho nas mãos.
Nosso assunto é sempre rodeado de nostalgia minha.
Será que a nova amiga percebe os rodeios que faço nas palavras para ter tempo de lembrar de você?
Acredito que não.
Então me deleito. Decorei teus passos nesses anos passados. Te vejo caminhar em todos os cômodos, falando as graças e perturbações que sempre dividíamos. Acariciando o gato com nome amarelo, apertando-lhe as bochechas felinas.
Digo à moça que preciso interromper o assunto para ir ao banheiro. E neste cômodo tudo está diferente. Com iluminação mais forte, fica confuso relembrar as cenas que tivemos. Te vejo escovando os dentes, penteando os cabelos. Abro a porta do box devagar, para que soe desapercebido.
Lembro de fazer amor no banho. Te lavar o corpo devagar enquanto falamos de trivialidades e nos beijamos.
Na volta, a garota está na cozinha. Abraço-a quase como te abraçava, por detrás, frente à pia. Beijo-a ali, mas tenho o cuidado de que o beijo seja de modo diferente, talvez menos amoroso. Meus gestos para com você estão guardados nessa casa e aqui permanecerão (sem serem novamente utilizados - nunca).
Nos amamos em teu antigo quarto. Com outra configuração, mas definitivamente o mesmo. Escuto os novos ecos, de novos suspiros, ressonando nas mesmas paredes que os antigos suspiros teus.
Quando descanso, suado, acaricio os cabelos do novo amor e penso neste quarto.
Foi aqui que me dissera adeus.
Nesse mesmo lugar onde deito exausto, ficou o nosso amor.
Tento não lembrar das lágrimas, mas emociono. Aqui, neste mesmo ar, deve ter sobrado resquício líquido da lamentação que derramamos por conta do fim de um tempo. Nosso pequeno tempo.
Então, ainda acariciando a outra, vou fechando os olhos. Não sei se espero sonhar os sonhos que tive aqui naquelas noites. Não sei se espero que, ao acordar, o quarto esteja de um jeito antigo - o jeito teu - e ao meu lado os teus cabelos longos.
Na verdade, não espero nada.
Nunca mais voltarei aqui.
quarta-feira, 6 de julho de 2016
quarta-feira, 29 de junho de 2016
A inspiração de um nas palavras de outro
Tenro
Nos covis do banheiro
Mofado
Calo
Na fala e nos pés
É
Sutura mal costurada
Nada
É
Desjeito no peito
Dejeto
No esgoto insosso
Moço
Que queria tocar-me a face
Num bar
Forró sem som
Sem fala
Calada
Como a noite
Afaga
E apaga os desejos
Dejetos sem jeito
Nos covis do banheiro
Mofado
Calo
Na fala e nos pés
É
Sutura mal costurada
Nada
É
Desjeito no peito
Dejeto
No esgoto insosso
Moço
Que queria tocar-me a face
Num bar
Forró sem som
Sem fala
Calada
Como a noite
Afaga
E apaga os desejos
Dejetos sem jeito
sexta-feira, 24 de junho de 2016
quinta-feira, 23 de junho de 2016
O valor das bobagens (ou o valor da bobice)
Quando criança, todas as coisas são atencionáveis
O tamanho do grão de terra no canteiro da vovó,
A textura da borracha nova na escola,
O som do vento no lençol estendido,
As orelhas grandes de Samuel.
Me lembro de sentar no chão do pátio e, com o indicador e polegar quase juntos (na altura - e bem próximos - dos olhos), pensar que podia segurar qualquer pessoa ou coisa que passasse por ali. "Que pequeninos", imaginava.
Depois de um tempo, os dedos cresceram. Mas parece que o vão entre eles cresceu mais ainda.
Algo aconteceu
Ontem não importava mais o grão de terra nem as orelhas do amigo. Não cabiam mais pessoas entre os dedos. O bonito tinha virado bobagem.
Hoje, bobo que sou, resolvi ouvir o som do lençol no varal.
E, para minha surpresa, ele ainda estava lá.
O tamanho do grão de terra no canteiro da vovó,
A textura da borracha nova na escola,
O som do vento no lençol estendido,
As orelhas grandes de Samuel.
Me lembro de sentar no chão do pátio e, com o indicador e polegar quase juntos (na altura - e bem próximos - dos olhos), pensar que podia segurar qualquer pessoa ou coisa que passasse por ali. "Que pequeninos", imaginava.
Depois de um tempo, os dedos cresceram. Mas parece que o vão entre eles cresceu mais ainda.
Algo aconteceu
Ontem não importava mais o grão de terra nem as orelhas do amigo. Não cabiam mais pessoas entre os dedos. O bonito tinha virado bobagem.
Hoje, bobo que sou, resolvi ouvir o som do lençol no varal.
E, para minha surpresa, ele ainda estava lá.
Metade desafinada de uma música sem título e que precisa de parcerias para ser finalizada (leia-se: alguém me ajuda aí)
capo 3
Bm C#m F#m
prevalesceu o mar
G#7
de angústia
A A/F#
então pra quê
C#m
pensar?
Bm C#m
decerto um dia vai
F#m G#7 A
brilhar o tempo em teu olhar
G#7
sorrindo assim
C#m
pra mim
A
e eu vou embora
G#7
sem deixar
C#m
saudade
A/F# X C#m
e vou juntar o vento e teu lugar num só cantinho aqui
A
e eu vou matar
G#7
essa vontade
C#m F#m
eu vou viver de novo esse verão
A G#7 C#m
enquanto houver carinho em mim
Bm C#m F#m
prevalesceu o mar
G#7
de angústia
A A/F#
então pra quê
C#m
pensar?
Bm C#m
decerto um dia vai
F#m G#7 A
brilhar o tempo em teu olhar
G#7
sorrindo assim
C#m
pra mim
A
e eu vou embora
G#7
sem deixar
C#m
saudade
A/F# X C#m
e vou juntar o vento e teu lugar num só cantinho aqui
A
e eu vou matar
G#7
essa vontade
C#m F#m
eu vou viver de novo esse verão
A G#7 C#m
enquanto houver carinho em mim
quarta-feira, 22 de junho de 2016
domingo, 19 de junho de 2016
Lista de coisas a se fazer ou aprender
1- Deve-se abraçar a sinceridade e caminhar com ela, apesar dos infortúnios que isso possa causar.
2- O amor nunca deve ser requisitado, apenas doado - sem que o motivo seja receber o amor da contraparte.
3- Não se deve pedir desculpas a não ser que o ato venha do abraço da sinceridade.
4- A bondade não exige recíproca, mas não deve ser pura e simplesmente um ato de caridade consigo mesmo.
5- Deve-se ouvir mais do que falar, prestando atenção em todas as nuances da fala e, só depois, analisar e oferecer suas opiniões sinceras.
6- A solidão não deve ser um tema recorrente dos pensamentos.
7- Deve-se aprofundar mais no conhecimento de tudo, não apenas tangenciar a superfície e se dar por satisfeito.
8- Certas vezes, é preciso se deixar não pensar em nada e apaziguar os sentimentos.
9- A saudade é parte do mecanismo do amor, e segue as mesmas regras.
10- Deve-se gostar da própria presença e, com efeito, querer compartilhar.
11-
12-
2- O amor nunca deve ser requisitado, apenas doado - sem que o motivo seja receber o amor da contraparte.
3- Não se deve pedir desculpas a não ser que o ato venha do abraço da sinceridade.
4- A bondade não exige recíproca, mas não deve ser pura e simplesmente um ato de caridade consigo mesmo.
5- Deve-se ouvir mais do que falar, prestando atenção em todas as nuances da fala e, só depois, analisar e oferecer suas opiniões sinceras.
6- A solidão não deve ser um tema recorrente dos pensamentos.
7- Deve-se aprofundar mais no conhecimento de tudo, não apenas tangenciar a superfície e se dar por satisfeito.
8- Certas vezes, é preciso se deixar não pensar em nada e apaziguar os sentimentos.
9- A saudade é parte do mecanismo do amor, e segue as mesmas regras.
10- Deve-se gostar da própria presença e, com efeito, querer compartilhar.
11-
12-
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Desanuviei
e, como o céu,
me abri
vi que não faz sentido esconder com a peneira
deixa o tempo aberto limpar as penas
deixa o vento vir
deixa vir
desanuviou
deixei o tempo abrir
me abri
vi que não faz sentido esconder com a peneira
deixa o tempo aberto limpar as penas
deixa o vento vir
deixa vir
desanuviou
deixei o tempo abrir
sexta-feira, 10 de junho de 2016
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Pleno
Me perder na vasta imensidão do tempo e me encontrar. Anos depois, sozinho ou acompanhado, e pleno. Sem as amarras do insano medo da solidão.
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