Pensei até te procurar em outras bocas
mas teu beijo foi tão longe, tão pouco
que, caso a encontrasse, não saberia
quarta-feira, 22 de junho de 2016
domingo, 19 de junho de 2016
Lista de coisas a se fazer ou aprender
1- Deve-se abraçar a sinceridade e caminhar com ela, apesar dos infortúnios que isso possa causar.
2- O amor nunca deve ser requisitado, apenas doado - sem que o motivo seja receber o amor da contraparte.
3- Não se deve pedir desculpas a não ser que o ato venha do abraço da sinceridade.
4- A bondade não exige recíproca, mas não deve ser pura e simplesmente um ato de caridade consigo mesmo.
5- Deve-se ouvir mais do que falar, prestando atenção em todas as nuances da fala e, só depois, analisar e oferecer suas opiniões sinceras.
6- A solidão não deve ser um tema recorrente dos pensamentos.
7- Deve-se aprofundar mais no conhecimento de tudo, não apenas tangenciar a superfície e se dar por satisfeito.
8- Certas vezes, é preciso se deixar não pensar em nada e apaziguar os sentimentos.
9- A saudade é parte do mecanismo do amor, e segue as mesmas regras.
10- Deve-se gostar da própria presença e, com efeito, querer compartilhar.
11-
12-
2- O amor nunca deve ser requisitado, apenas doado - sem que o motivo seja receber o amor da contraparte.
3- Não se deve pedir desculpas a não ser que o ato venha do abraço da sinceridade.
4- A bondade não exige recíproca, mas não deve ser pura e simplesmente um ato de caridade consigo mesmo.
5- Deve-se ouvir mais do que falar, prestando atenção em todas as nuances da fala e, só depois, analisar e oferecer suas opiniões sinceras.
6- A solidão não deve ser um tema recorrente dos pensamentos.
7- Deve-se aprofundar mais no conhecimento de tudo, não apenas tangenciar a superfície e se dar por satisfeito.
8- Certas vezes, é preciso se deixar não pensar em nada e apaziguar os sentimentos.
9- A saudade é parte do mecanismo do amor, e segue as mesmas regras.
10- Deve-se gostar da própria presença e, com efeito, querer compartilhar.
11-
12-
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Desanuviei
e, como o céu,
me abri
vi que não faz sentido esconder com a peneira
deixa o tempo aberto limpar as penas
deixa o vento vir
deixa vir
desanuviou
deixei o tempo abrir
me abri
vi que não faz sentido esconder com a peneira
deixa o tempo aberto limpar as penas
deixa o vento vir
deixa vir
desanuviou
deixei o tempo abrir
sexta-feira, 10 de junho de 2016
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Pleno
Me perder na vasta imensidão do tempo e me encontrar. Anos depois, sozinho ou acompanhado, e pleno. Sem as amarras do insano medo da solidão.
Festina Lente
"Tudo em seu tempo", ela disse.
E sumiu.
O que me resta então é esse tempo que insiste em não passar,
acordando os dias com a memória de uma noite, a única que dividimos.
Então apressa-te, mesmo que essa pressa demore.
Meu peito aguenta só mais algumas pancadas até endurecer
e, quando isso acontecer, não sei o que vai ser de mim
E sumiu.
O que me resta então é esse tempo que insiste em não passar,
acordando os dias com a memória de uma noite, a única que dividimos.
Então apressa-te, mesmo que essa pressa demore.
Meu peito aguenta só mais algumas pancadas até endurecer
e, quando isso acontecer, não sei o que vai ser de mim
sábado, 4 de junho de 2016
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Faço de mim a pedra na ponta final do abismo
e então eu mesmo chego e chuto a pedra na ponta final do abismo
mas escorrego e não consigo a atingir a pedra na ponta final do abismo
então, desajeitado, caio do abismo onde fica a pedra na ponta final do abismo
e, como fiz de mim a pedra na ponta final do abismo,
me observo cair do abismo
me ralo, me quebro, morro
mas ainda sou a pedra na ponta final do abis...
Ah, pulei também
e então eu mesmo chego e chuto a pedra na ponta final do abismo
mas escorrego e não consigo a atingir a pedra na ponta final do abismo
então, desajeitado, caio do abismo onde fica a pedra na ponta final do abismo
e, como fiz de mim a pedra na ponta final do abismo,
me observo cair do abismo
me ralo, me quebro, morro
mas ainda sou a pedra na ponta final do abis...
Ah, pulei também
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Tem vezes que penso te querer de novo
Tem vezes que penso te querer de novo
O sorriso fácil
A dança na rua
As noites suadas com gosto de vinho e gemidos no ouvido
O corpo de mulher com alma de menina
Nosso sexo longo e febril
Os devaneios sobre a existência
As alimentações improvisadas
A leitura no parque
Tudo em um final de semana
Que terminava como terminou
Eu aqui, pensando em te querer de novo,
Você aí, dizendo me querer sempre,
E nenhum dos dois juntos
E nenhum dos dois sozinhos
Mas tem vezes que penso te querer de novo
E tem vezes que quero
O sorriso fácil
A dança na rua
As noites suadas com gosto de vinho e gemidos no ouvido
O corpo de mulher com alma de menina
Nosso sexo longo e febril
Os devaneios sobre a existência
As alimentações improvisadas
A leitura no parque
Tudo em um final de semana
Que terminava como terminou
Eu aqui, pensando em te querer de novo,
Você aí, dizendo me querer sempre,
E nenhum dos dois juntos
E nenhum dos dois sozinhos
Mas tem vezes que penso te querer de novo
E tem vezes que quero
Uma rima no final, pra parecer bonito o clichê
Essa noite de chuva me faz pensar em você.
Na verdade, qual noite não tem me feito isso?
Então me deixo assim, pensando
e quando vejo, já fui longe
As gotas molham a janela do meu quarto.
Sinto-as em mim,
como teus dedos gelados poderiam ter sido
E enquanto escuto os gotejos, penso que também os ouve
E cala
Tão bom é o silêncio pra sonhar
Então cogito parar de pensar:
Talvez te traga pra perto
Mas, de longe, deixo o pensamento na enxurrada
Só penso em você e mais nada
Na verdade, qual noite não tem me feito isso?
Então me deixo assim, pensando
e quando vejo, já fui longe
As gotas molham a janela do meu quarto.
Sinto-as em mim,
como teus dedos gelados poderiam ter sido
E enquanto escuto os gotejos, penso que também os ouve
E cala
Tão bom é o silêncio pra sonhar
Então cogito parar de pensar:
Talvez te traga pra perto
Mas, de longe, deixo o pensamento na enxurrada
Só penso em você e mais nada
quarta-feira, 18 de maio de 2016
Meus sinceros sentidos
Do tato que roçou com a mão a pele veio o cheiro de perfume entre os dedos e o breve gosto do beijo rápido, quase indo
Sinto
Mas não "sinto muito"
Ou sinto?
Sinto
Mas não "sinto muito"
Ou sinto?
domingo, 8 de maio de 2016
Naquele tempo as bandeiras tremulavam solitárias.
Veja bem...
Bandeiras, depois de pregadas ao solo, são deixadas apenas para dançar ao vento.
Os dias de luta, o sangue derramado, o suor daqueles que carregaram não só o estandarte, mas a coragem para lutar por ideias, tudo isso é pregado ao solo junto às bandeiras.
E deixados.
Veja bem...
Bandeiras, depois de pregadas ao solo, são deixadas apenas para dançar ao vento.
Os dias de luta, o sangue derramado, o suor daqueles que carregaram não só o estandarte, mas a coragem para lutar por ideias, tudo isso é pregado ao solo junto às bandeiras.
E deixados.
segunda-feira, 7 de março de 2016
Dois barcos - Cap. I
Eram dois navios que oscilavam, longe, num grande mar de infinidades. Afastados pelo espaço e pelo tempo, mas com um destino comum.
Chegariam em algum ponto, o mesmo ponto, lugar em que seus trajetos não seriam mais importantes.
Ali, provavelmente, seria conclusivo que nem deveriam ter existido.
E ainda assim eram dois barcos, navegando pelo espaço-tempo.
O casco de um, desgastado pelas marés, trazia marcas e cicatrizes vorazes, resistindo ofegantes às investidas do sempre violento mar. Rangiam alto, ritmadas pelo som da antiguidade, mas nunca cediam ao avanço contrário das águas.
O casco do outro tinha o verniz reluzente à luz laranja do pôr-do-sol. Cortava as ondas como faca afiada e quente, passando pela carne ainda fresca. Navegava na velocidade do vento e não havia nada que o pudesse parar. Era um raio de luz que todos viam e segundos depois não estava mais lá.
Eram contrários e, sem saber, ainda tinham seu encontro.
Chegariam em algum ponto, o mesmo ponto, lugar em que seus trajetos não seriam mais importantes.
Ali, provavelmente, seria conclusivo que nem deveriam ter existido.
E ainda assim eram dois barcos, navegando pelo espaço-tempo.
O casco de um, desgastado pelas marés, trazia marcas e cicatrizes vorazes, resistindo ofegantes às investidas do sempre violento mar. Rangiam alto, ritmadas pelo som da antiguidade, mas nunca cediam ao avanço contrário das águas.
O casco do outro tinha o verniz reluzente à luz laranja do pôr-do-sol. Cortava as ondas como faca afiada e quente, passando pela carne ainda fresca. Navegava na velocidade do vento e não havia nada que o pudesse parar. Era um raio de luz que todos viam e segundos depois não estava mais lá.
Eram contrários e, sem saber, ainda tinham seu encontro.
domingo, 6 de março de 2016
Versinhos para uma cabana nas montanhas
A grama seca da neve que passou.
Ao lado, a lenha que sobrou dos fogos que acendi ali.
Eu, parado, contemplo tudo, aqui.
Não tenho resposta pra nada
só viver e lembrar do que vivi.
Lá fora ela corre, dança,
o vestido gira no contorno do vento,
aguarda o chá que aqui dentro esquento.
Já nem lembro da grande cidade, do pequeno apartamento.
Tudo é lento
não duvido, só alento e agradeço.
O que há de vir virá
Em paz.
Só existe a paz.
Ao lado, a lenha que sobrou dos fogos que acendi ali.
Eu, parado, contemplo tudo, aqui.
Não tenho resposta pra nada
só viver e lembrar do que vivi.
Lá fora ela corre, dança,
o vestido gira no contorno do vento,
aguarda o chá que aqui dentro esquento.
Já nem lembro da grande cidade, do pequeno apartamento.
Tudo é lento
não duvido, só alento e agradeço.
O que há de vir virá
Em paz.
Só existe a paz.
A moça do bosque
Ela era grande, a linda pequena mulher que cantarolava pelo bosque
sozinha.
Rodava seu vestido e, enquanto envelhecia, o tecido continuava na sinuosa dança.
Centrífuga, disseram sobre ela.
Quando girava, entrava em ressonância com a Terra,
a mesma frequência.
Ela está em consonância com tudo,
em harmonia, como sonhavam os antigos.
Uma das mais belas músicas cantadas pelo universo.
sozinha.
Rodava seu vestido e, enquanto envelhecia, o tecido continuava na sinuosa dança.
Centrífuga, disseram sobre ela.
Quando girava, entrava em ressonância com a Terra,
a mesma frequência.
Ela está em consonância com tudo,
em harmonia, como sonhavam os antigos.
Uma das mais belas músicas cantadas pelo universo.
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