quarta-feira, 22 de junho de 2016

Pensei até te procurar em outras bocas
mas teu beijo foi tão longe, tão pouco
que, caso a encontrasse, não saberia

terça-feira, 21 de junho de 2016

domingo, 19 de junho de 2016

Lista de coisas a se fazer ou aprender

1- Deve-se abraçar a sinceridade e caminhar com ela, apesar dos infortúnios que isso possa causar.
2- O amor nunca deve ser requisitado, apenas doado - sem que o motivo seja receber o amor da contraparte.
3- Não se deve pedir desculpas a não ser que o ato venha do abraço da sinceridade.
4- A bondade não exige recíproca, mas não deve ser pura e simplesmente um ato de caridade consigo mesmo.
5- Deve-se ouvir mais do que falar, prestando atenção em todas as nuances da fala e, só depois, analisar e oferecer suas opiniões sinceras.
6- A solidão não deve ser um tema recorrente dos pensamentos.
7- Deve-se aprofundar mais no conhecimento de tudo, não apenas tangenciar a superfície e se dar por satisfeito.
8- Certas vezes, é preciso se deixar não pensar em nada e apaziguar os sentimentos.
9- A saudade é parte do mecanismo do amor, e segue as mesmas regras.
10- Deve-se gostar da própria presença e, com efeito, querer compartilhar.
11-
12-

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Desanuviei

e, como o céu,
me abri

vi que não faz sentido esconder com a peneira
deixa o tempo aberto limpar as penas
deixa o vento vir
deixa vir

desanuviou
deixei o tempo abrir

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Me largo, me deixo, me deito
Frio nas mãos e nos pés
E no coração?
Ah, já não adianta mais falar nisso.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Pleno

Me perder na vasta imensidão do tempo e me encontrar. Anos depois, sozinho ou acompanhado, e pleno. Sem as amarras do insano medo da solidão.

Festina Lente

"Tudo em seu tempo", ela disse.
E sumiu.
O que me resta então é esse tempo que insiste em não passar,
acordando os dias com a memória de uma noite, a única que dividimos.

Então apressa-te, mesmo que essa pressa demore.
Meu peito aguenta só mais algumas pancadas até endurecer
e, quando isso acontecer, não sei o que vai ser de mim

sábado, 4 de junho de 2016

e então constatou que a tristeza faria, cada vez mais, parte do seu ser
e não havia nada de errado nisso

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Faço de mim a pedra na ponta final do abismo
e então eu mesmo chego e chuto a pedra na ponta final do abismo
mas escorrego e não consigo a atingir a pedra na ponta final do abismo
então, desajeitado, caio do abismo onde fica a pedra na ponta final do abismo
e, como fiz de mim a pedra na ponta final do abismo,
me observo cair do abismo

me ralo, me quebro, morro
mas ainda sou a pedra na ponta final do abis...
Ah, pulei também

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Tem vezes que penso te querer de novo

Tem vezes que penso te querer de novo
O sorriso fácil
A dança na rua
As noites suadas com gosto de vinho e gemidos no ouvido
O corpo de mulher com alma de menina
Nosso sexo longo e febril
Os devaneios sobre a existência
As alimentações improvisadas
A leitura no parque

Tudo em um final de semana
Que terminava como terminou

Eu aqui, pensando em te querer de novo,
Você aí, dizendo me querer sempre,
E nenhum dos dois juntos
E nenhum dos dois sozinhos

Mas tem vezes que penso te querer de novo
E tem vezes que quero
Prendo o prego próximo ao peito pra não precisar parecer perfeito o que paira ali por perto
Aperto a porta e fecho
Tranco a tranca tão bem trancada que tento sair e não consigo
Desprendo o prego
Destranco a tranca
Não quero quedar aqui comigo

Uma rima no final, pra parecer bonito o clichê

Essa noite de chuva me faz pensar em você.
Na verdade, qual noite não tem me feito isso?

Então me deixo assim, pensando
e quando vejo, já fui longe

As gotas molham a janela do meu quarto.
Sinto-as em mim,
como teus dedos gelados poderiam ter sido

E enquanto escuto os gotejos, penso que também os ouve
E cala
Tão bom é o silêncio pra sonhar

Então cogito parar de pensar:
Talvez te traga pra perto

Mas, de longe, deixo o pensamento na enxurrada

Só penso em você e mais nada

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Meus sinceros sentidos

Do tato que roçou com a mão a pele veio o cheiro de perfume entre os dedos e o breve gosto do beijo rápido, quase indo

Sinto
Mas não "sinto muito"
Ou sinto?

domingo, 8 de maio de 2016

Naquele tempo as bandeiras tremulavam solitárias.
Veja bem...
Bandeiras, depois de pregadas ao solo, são deixadas apenas para dançar ao vento.
Os dias de luta, o sangue derramado, o suor daqueles que carregaram não só o estandarte, mas a coragem para lutar por ideias, tudo isso é pregado ao solo junto às bandeiras.
E deixados.
Quanta angústia boa no teu silêncio
Pena que coração não sobrevive de ausência

quinta-feira, 5 de maio de 2016

segunda-feira, 7 de março de 2016

Dois barcos - Cap. I

Eram dois navios que oscilavam, longe, num grande mar de infinidades. Afastados pelo espaço e pelo tempo, mas com um destino comum.
Chegariam em algum ponto, o mesmo ponto, lugar em que seus trajetos não seriam mais importantes.
Ali, provavelmente, seria conclusivo que nem deveriam ter existido.
E ainda assim eram dois barcos, navegando pelo espaço-tempo.

O casco de um, desgastado pelas marés, trazia marcas e cicatrizes vorazes, resistindo ofegantes às investidas do sempre violento mar. Rangiam alto, ritmadas pelo som da antiguidade, mas nunca cediam ao avanço contrário das águas.

O casco do outro tinha o verniz reluzente à luz laranja do pôr-do-sol. Cortava as ondas como faca afiada e quente, passando pela carne ainda fresca. Navegava na velocidade do vento e não havia nada que o pudesse parar. Era um raio de luz que todos viam e segundos depois não estava mais lá.

Eram contrários e, sem saber, ainda tinham seu encontro.

domingo, 6 de março de 2016

Versinhos para uma cabana nas montanhas

A grama seca da neve que passou.
Ao lado, a lenha que sobrou dos fogos que acendi ali.
Eu, parado, contemplo tudo, aqui.
Não tenho resposta pra nada
só viver e lembrar do que vivi.

Lá fora ela corre, dança,
o vestido gira no contorno do vento,
aguarda o chá que aqui dentro esquento.
Já nem lembro da grande cidade, do pequeno apartamento.

Tudo é lento
não duvido, só alento e agradeço.
O que há de vir virá

Em paz.
Só existe a paz.

A moça do bosque

Ela era grande, a linda pequena mulher que cantarolava pelo bosque
sozinha.
Rodava seu vestido e, enquanto envelhecia, o tecido continuava na sinuosa dança.
Centrífuga, disseram sobre ela.

Quando girava, entrava em ressonância com a Terra,
a mesma frequência.

Ela está em consonância com tudo,
em harmonia, como sonhavam os antigos.

Uma das mais belas músicas cantadas pelo universo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O destoar me parece válido
Não sou quem pareço que deveria ser

Nem quero

Ainda sou o menino que dizia de esgotos e muralhas
Ainda vivo das falhas
Mas não deveria

Ser adulto é no mínimo triste
Mas ainda sou criança, no pouco de mim que existe