Houve momentos de desespero em que a alma cansada titubeava
Houve momentos de inferno
e nesses momentos calados, de lençóis molhados de sal dos olhos, ansiava
pela morte dos momentos
O sol havia se posto já fazia dois dias e, assim, nesse processo obtuso,
se pôs de novo sem nem nascer.
E foi aí -> no segundo minuto de escuridão -> que o momento dos infernos
se foi.
E o sol nasceu três vezes no mesmo instante, cê tinha que ver.
Secou os lençóis, deu pra guardar o sal num pote
e temperar o feijão por um mês.
E que feijão bom que rendeu.
Todo mundo comeu.
sábado, 1 de outubro de 2016
domingo, 25 de setembro de 2016
Dormingo
Dormi no domingo
e sonhei
Foi sonho breve eu sei
mas me peguei dormindo
Reviravolta de pensamento, sabe?
Daqueles de acordar do avesso,
mas o avesso bom de uma coisa boa
Reviravolta que volta pro mesmo lugar
mas melhor
E tem sido assim
no domingo
sorrindo dormindo
no aguardo
sem carregar fardo
só deixando o ano passar
E como passa rápido esse ano...
e sonhei
Foi sonho breve eu sei
mas me peguei dormindo
Reviravolta de pensamento, sabe?
Daqueles de acordar do avesso,
mas o avesso bom de uma coisa boa
Reviravolta que volta pro mesmo lugar
mas melhor
E tem sido assim
no domingo
sorrindo dormindo
no aguardo
sem carregar fardo
só deixando o ano passar
E como passa rápido esse ano...
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
domingo, 28 de agosto de 2016
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Samba:
Naquele dia me amou como um qualquer
Mas quando acordou quis ser minha mulher
E eu, sem jeito, fui eleito pra viver ao lado teu
Mas feliz não fui, quisera eu
Das tuas sobras o que sobrou pra mim foi mágoa
Agora entendo, querias uma escada
Mas não te dei sequer nenhum vintém
E agora vivo feliz com outro alguém
Mas quando acordou quis ser minha mulher
E eu, sem jeito, fui eleito pra viver ao lado teu
Mas feliz não fui, quisera eu
Das tuas sobras o que sobrou pra mim foi mágoa
Agora entendo, querias uma escada
Mas não te dei sequer nenhum vintém
E agora vivo feliz com outro alguém
Mas tá tudo bem
Sabe, mano, que saudade de prosear cheio de risada
no domingo de tarde frente à tevê sem som.
A gente fala e se ouve e nem vê e quando vê já tem até batuque e violão.
Mas como a tevê, muda, o que eram as coisas antes
agora não são.
no domingo de tarde frente à tevê sem som.
A gente fala e se ouve e nem vê e quando vê já tem até batuque e violão.
Mas como a tevê, muda, o que eram as coisas antes
agora não são.
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Uma ode à leveza
Que minha existência venha de uma só ternura, de um só movimento singelo e que abrace todos os outros movimentos.
Que meu sonho não seja premeditado. Que exista tão sutilmente quanto existo e que seja longo e breve.
Que a leveza do ser desbanque o mundo insosso que me vendem. Que cale a loucura que comprei nos primeiros vinte anos de vida, e me faça comprar mais quarenta anos de lucidez (mesmo que pareça insana).
Que eu navegue ou voe por mares e céus livres, acompanhado dos poucos e muitos que o fazem sem saber.
Que eu não saiba que navego.
Que meu instinto seja ele, de tal forma que não o perceberei e mesmo assim estarei sendo guiado. Por mim. E por todos.
Que eu seja mar e vento e terra e grama e ao mesmo tempo seja eu e nós.
E que nós sejamos não só e simplesmente palavra, mas um. E leves. E que sejamos breves aprendizes do que já foi e do que será.
Que meu sonho não seja premeditado. Que exista tão sutilmente quanto existo e que seja longo e breve.
Que a leveza do ser desbanque o mundo insosso que me vendem. Que cale a loucura que comprei nos primeiros vinte anos de vida, e me faça comprar mais quarenta anos de lucidez (mesmo que pareça insana).
Que eu navegue ou voe por mares e céus livres, acompanhado dos poucos e muitos que o fazem sem saber.
Que eu não saiba que navego.
Que meu instinto seja ele, de tal forma que não o perceberei e mesmo assim estarei sendo guiado. Por mim. E por todos.
Que eu seja mar e vento e terra e grama e ao mesmo tempo seja eu e nós.
E que nós sejamos não só e simplesmente palavra, mas um. E leves. E que sejamos breves aprendizes do que já foi e do que será.
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
A poesia turva do mar chista
Estive pensando na metáfora
Da briga eterna do mar
E a areia
Ele, bravo,
Bate
Incessante, louco
A cada vinte segundos
Nela
E a paz daquela
Aceita
Acha que quando a espuma
Bate
Nela se mistura
E ela vira mar sem querer
O que sobra mais pra frente
É areia mais forte que mar
Mas no fundo
Ela quer que venha
Pra areia, Maria da Penha
Da briga eterna do mar
E a areia
Ele, bravo,
Bate
Incessante, louco
A cada vinte segundos
Nela
E a paz daquela
Aceita
Acha que quando a espuma
Bate
Nela se mistura
E ela vira mar sem querer
O que sobra mais pra frente
É areia mais forte que mar
Mas no fundo
Ela quer que venha
Pra areia, Maria da Penha
sábado, 6 de agosto de 2016
Quando saí da redação fechada de um ar que se condicionou há tempos, sorri.
Caminhei como um ser humano caminha. Leve, sabia que - por algum tempo - não tinha nada por vir.
Andei a cidade, pensei em liberdade - mas não a vivi.
É que tanto tempo trancado, feito rato, experimentado, só me fez questionar:
Que vida é essa que levo, que ficar parado é remédio? Que tenho só um mês em doze para mudar todo o ar?
E de longe, pequenino, aquietei:
Sorte minha que questiono o que questionei. Há quem viva um em doze e morre sem viver, como se fosse lei.
Caminhei como um ser humano caminha. Leve, sabia que - por algum tempo - não tinha nada por vir.
Andei a cidade, pensei em liberdade - mas não a vivi.
É que tanto tempo trancado, feito rato, experimentado, só me fez questionar:
Que vida é essa que levo, que ficar parado é remédio? Que tenho só um mês em doze para mudar todo o ar?
E de longe, pequenino, aquietei:
Sorte minha que questiono o que questionei. Há quem viva um em doze e morre sem viver, como se fosse lei.
Sexta feira, bar do Chico com o outro Chico e um amigo dele
Sou o velho bebendo no bar
Cicatrizado
De fone no ouvido
Para não ouvir
Se encontro conhecidos
Estranhos velhos amigos
Delicio
Nas histórias que vivi
Sou o vermelho aquecendo o assento
Rubro
Com tampão nos olhos
Para ver
Se me enlouqueço
Levemente padeço
Rio
Vivo pra quê?
Sou a tarde vazia
Maria
Esquentando o feijão
Para não comer
E me entristeço
Sei que mereço
Dilúvio
Nadar
Afogar
e não morrer
Cicatrizado
De fone no ouvido
Para não ouvir
Se encontro conhecidos
Estranhos velhos amigos
Delicio
Nas histórias que vivi
Sou o vermelho aquecendo o assento
Rubro
Com tampão nos olhos
Para ver
Se me enlouqueço
Levemente padeço
Rio
Vivo pra quê?
Sou a tarde vazia
Maria
Esquentando o feijão
Para não comer
E me entristeço
Sei que mereço
Dilúvio
Nadar
Afogar
e não morrer
quarta-feira, 27 de julho de 2016
terça-feira, 19 de julho de 2016
O poema da falsa liberdade tardia
Dorme o velho bêbado
na rua
muda
Passa o carro e absorve
O velho dorme
Passos largos no caminho
de volta pra casa que nunca teve
e volta
A revolta longe, já nem lembra.
O que recorda é o velho pesar
a pipa que não voa mais,
nem voará
O que relembra e enaltece
é o mundo que esquece em cada gole de cachaça
e tenta viver, e tudo passa
mas nada há de passar
E dorme pra esquecer
que acorda no dia seguinte
pra querer dormir
na rua
muda
Passa o carro e absorve
O velho dorme
Passos largos no caminho
de volta pra casa que nunca teve
e volta
A revolta longe, já nem lembra.
O que recorda é o velho pesar
a pipa que não voa mais,
nem voará
O que relembra e enaltece
é o mundo que esquece em cada gole de cachaça
e tenta viver, e tudo passa
mas nada há de passar
E dorme pra esquecer
que acorda no dia seguinte
pra querer dormir
relógico
Cada qual tem um tempo
cada tempo pulsa
e pulsa
tic
Cada metro quadrado
aguardado
pulsa
Todo espaço no seu tempo
e a cada contratempo
momento
tac
E se pudesse viver o instante
cada alçada ante
penitência
tic
E se quisesse saber do futuro
um belo e velho muro
teria consentimento
É que de novo
tac
E que de velho
tic
E toc
o mundo
Prefere viver de desalento
Se o canto já passou
e a lástima engessou
o que lhe resta é contento
cada tempo pulsa
e pulsa
tic
Cada metro quadrado
aguardado
pulsa
Todo espaço no seu tempo
e a cada contratempo
momento
tac
E se pudesse viver o instante
cada alçada ante
penitência
tic
E se quisesse saber do futuro
um belo e velho muro
teria consentimento
É que de novo
tac
E que de velho
tic
E toc
o mundo
Prefere viver de desalento
Se o canto já passou
e a lástima engessou
o que lhe resta é contento
sexta-feira, 15 de julho de 2016
Ontem fui ao cinema sozinho, esperando te ver por lá. Pensei que, entre todas as cadeiras vazias, uma estaria cheia de ti e era ao lado que eu iria sentar.
Ontem fui ao cinema sozinho e, ao findar do filme, levantei rápido para ver se estavas ali. Te vi em todos os rostos chorosos e solitários, mas em nenhum te encontrei.
Ontem fui ao cinema sozinho, esperando dividir um cigarro contigo na volta. Como não estavas por lá, andei sozinho o calçadão, atravessei a rua, subi o morro, entrei em casa, deitei e dormi.
Ontem fui ao cinema sozinho e, ao findar do filme, levantei rápido para ver se estavas ali. Te vi em todos os rostos chorosos e solitários, mas em nenhum te encontrei.
Ontem fui ao cinema sozinho, esperando dividir um cigarro contigo na volta. Como não estavas por lá, andei sozinho o calçadão, atravessei a rua, subi o morro, entrei em casa, deitei e dormi.
sábado, 9 de julho de 2016
Alumia
Nasce o sol de luz
e alumia
distancia o LED
dos olhos claros
e, claro, sorria
Nasce o sol alumiando
e esquenta
a pele vermelha
sadia;
Alumia aqui o riso fácil
Nasce o sol e me alegria
e alumia
distancia o LED
dos olhos claros
e, claro, sorria
Nasce o sol alumiando
e esquenta
a pele vermelha
sadia;
Alumia aqui o riso fácil
Nasce o sol e me alegria
sexta-feira, 8 de julho de 2016
A coincidência de uma morada comum
É estranho ver em tua antiga casa outra mulher que me seduz.
Lembro-me exato do dia em que se mudara pra cá. Tão cheia de alegrias, em contraste com o tamanho da bagagem que carregava. Teus sonhos ainda vivem aqui, imagino, nunca realizados.
Enquanto converso com ela, é recorrente que teu fantasma apareça, de camisola preta e uma taça de vinho nas mãos.
Nosso assunto é sempre rodeado de nostalgia minha.
Será que a nova amiga percebe os rodeios que faço nas palavras para ter tempo de lembrar de você?
Acredito que não.
Então me deleito. Decorei teus passos nesses anos passados. Te vejo caminhar em todos os cômodos, falando as graças e perturbações que sempre dividíamos. Acariciando o gato com nome amarelo, apertando-lhe as bochechas felinas.
Digo à moça que preciso interromper o assunto para ir ao banheiro. E neste cômodo tudo está diferente. Com iluminação mais forte, fica confuso relembrar as cenas que tivemos. Te vejo escovando os dentes, penteando os cabelos. Abro a porta do box devagar, para que soe desapercebido.
Lembro de fazer amor no banho. Te lavar o corpo devagar enquanto falamos de trivialidades e nos beijamos.
Na volta, a garota está na cozinha. Abraço-a quase como te abraçava, por detrás, frente à pia. Beijo-a ali, mas tenho o cuidado de que o beijo seja de modo diferente, talvez menos amoroso. Meus gestos para com você estão guardados nessa casa e aqui permanecerão (sem serem novamente utilizados - nunca).
Nos amamos em teu antigo quarto. Com outra configuração, mas definitivamente o mesmo. Escuto os novos ecos, de novos suspiros, ressonando nas mesmas paredes que os antigos suspiros teus.
Quando descanso, suado, acaricio os cabelos do novo amor e penso neste quarto.
Foi aqui que me dissera adeus.
Nesse mesmo lugar onde deito exausto, ficou o nosso amor.
Tento não lembrar das lágrimas, mas emociono. Aqui, neste mesmo ar, deve ter sobrado resquício líquido da lamentação que derramamos por conta do fim de um tempo. Nosso pequeno tempo.
Então, ainda acariciando a outra, vou fechando os olhos. Não sei se espero sonhar os sonhos que tive aqui naquelas noites. Não sei se espero que, ao acordar, o quarto esteja de um jeito antigo - o jeito teu - e ao meu lado os teus cabelos longos.
Na verdade, não espero nada.
Nunca mais voltarei aqui.
Lembro-me exato do dia em que se mudara pra cá. Tão cheia de alegrias, em contraste com o tamanho da bagagem que carregava. Teus sonhos ainda vivem aqui, imagino, nunca realizados.
Enquanto converso com ela, é recorrente que teu fantasma apareça, de camisola preta e uma taça de vinho nas mãos.
Nosso assunto é sempre rodeado de nostalgia minha.
Será que a nova amiga percebe os rodeios que faço nas palavras para ter tempo de lembrar de você?
Acredito que não.
Então me deleito. Decorei teus passos nesses anos passados. Te vejo caminhar em todos os cômodos, falando as graças e perturbações que sempre dividíamos. Acariciando o gato com nome amarelo, apertando-lhe as bochechas felinas.
Digo à moça que preciso interromper o assunto para ir ao banheiro. E neste cômodo tudo está diferente. Com iluminação mais forte, fica confuso relembrar as cenas que tivemos. Te vejo escovando os dentes, penteando os cabelos. Abro a porta do box devagar, para que soe desapercebido.
Lembro de fazer amor no banho. Te lavar o corpo devagar enquanto falamos de trivialidades e nos beijamos.
Na volta, a garota está na cozinha. Abraço-a quase como te abraçava, por detrás, frente à pia. Beijo-a ali, mas tenho o cuidado de que o beijo seja de modo diferente, talvez menos amoroso. Meus gestos para com você estão guardados nessa casa e aqui permanecerão (sem serem novamente utilizados - nunca).
Nos amamos em teu antigo quarto. Com outra configuração, mas definitivamente o mesmo. Escuto os novos ecos, de novos suspiros, ressonando nas mesmas paredes que os antigos suspiros teus.
Quando descanso, suado, acaricio os cabelos do novo amor e penso neste quarto.
Foi aqui que me dissera adeus.
Nesse mesmo lugar onde deito exausto, ficou o nosso amor.
Tento não lembrar das lágrimas, mas emociono. Aqui, neste mesmo ar, deve ter sobrado resquício líquido da lamentação que derramamos por conta do fim de um tempo. Nosso pequeno tempo.
Então, ainda acariciando a outra, vou fechando os olhos. Não sei se espero sonhar os sonhos que tive aqui naquelas noites. Não sei se espero que, ao acordar, o quarto esteja de um jeito antigo - o jeito teu - e ao meu lado os teus cabelos longos.
Na verdade, não espero nada.
Nunca mais voltarei aqui.
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