quarta-feira, 18 de maio de 2011

Metrônomo

1
não perca o rítmo
não perca o rítmo
não perca o rítmo
2
não perca o rítmo
não perca o rítmo
não perca o rítmo
3
não perca o rítmo
não perca o rítmo
não perca o rítmo
4
não perca o rítmo
não perca o rítmo
não perca o rítmo
5
-não perca o rítmo
---não perca o rítmo
--não perca o rítmo
6
PÁRA.

terça-feira, 17 de maio de 2011

A grande mentira

Isso que acabei de dizer foi uma grande mentira,
dita apenas por dizer.
Se me ouviu e concordou,
quer dizer que não entendeu nada.
Se discordou,
quer dizer que não gosta de ti.

Não é a ironia que me faz precaver,
é a vontade de mentir.
Mas somos todos atores,
não em um palco,
mas em um gigantesco camarim.

Complemento

Esquece de escrever tuas poesias.
Esquece de pedir essa ajuda imediata.
As coisas não funcionam assim.

Se um dia achou que podia haver dentro de ti
a resposta para todas essas pequenas perguntas,
volte: estavas errado.

Agora páres de juntar palavras como bem entendes e vai viver tua vida.
Tens tão pouco tempo para se completar.

domingo, 15 de maio de 2011

Relógio Digital

Não quero me adiantar
e muito menos ter tempo de sobra pra ver quem eu não quero.
Quero ficar cheio das tarefas
e correr pela cidade também atarefada.

Não preciso de mais tempo,
quero menos, quase nada.
Só assim vou enfim voltar a viver,
correndo e vendo sempre o fim que não acaba.
E é desse jeito que as pessoas felizes devem viver.
Digo devem porque não sei.
Devem dizer que sabem.
Mas quem é feliz, conta aos outros?
Ou só corre e corre e corre e corre e corre e corre e corre e corre e corre e corre e corre?

O Sempre

São essas paixões que caíram como os raios dessa chuva.
Fazem seu estrago e desaparecem para todo o sempre.

Escolhem o local de pouso no improviso,
caem como se nada tivesse acontecido.
Explodem o chão e tremem à sua volta.
Fazem seu estrago e desaparecem para todo o sempre.

São esses amores que ficaram como as pedras dessa montanha.
Fazem seu lar e permanecem para todo o sempre.

Escolhem o local de pouso na certeza,
caem como se fosse a verdade do mundo.
Explodem o chão e tremem à sua volta.
Fazem seu lar e permanecem para todo o sempre.

Conhecimento

Te conheço novamente
e te vejo bem como sempre quis.
Mas dessa vez escuto as palavras que sonhei tanto, anos atrás.

Te sinto outra vez
e fico aquecido e sorridente.
Mas dessa vez vejo um pouco de verdade no que sempre esperei.

O que fazes comigo é inexplicável,
e, mesmo assim, tão indefinidamente longe, fico feliz e durmo bem.

És uma grande guia, um anjo, que me aparece periódicamente e renova os sonhos,
me faz acreditar que ainda existe o que eu acredito e tenho em mim.

Quem me dera conseguir realizar essas promessas,
agora talvez eu sonho por elas.
Meu grande sentimento jovial.
E és tu, minha grande musa, causadora de mais de mil de minhas poesias.
Tu que me transforma tudo.

sábado, 14 de maio de 2011

Aquela história do mundo

Inoculo o medo e tiro os paradigmas.
Vivo um dia de cada vez, sem pressa de acabar.
Corro atras das coisas de um jeito sério e, ao mesmo tempo, desapegado.
Tudo acabou dando certo.

Só me falta alguém pra dividir essa alegria.
Mas, como tudo tem seu tempo,
vivo um dia de cada vez, sem pressa de acabar.

Live an let die.

Tudo passa e vai.
O que passa, te muda.
O que te muda, se reflete.
O que refletiu, deixou marca.
O que deixou marca, te fez crescer.
Tudo passa e vai.
But if this everchanging world in which we live in makes you give in and cry...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Mas daí percebeu que uma companhia para viver no mundo dos sonhos não seria nada mal.
No fim, all you need is love (E UMA MONTANHA PRA MORAR).

Sobre aquela serra do jardim do édem do livro de mentiras.

Sentiu o vento do topo do mundo nos cabelos loiros.
Disse que queria mais.
Sentiu a água fria que brota do chão nos pés quentes.
Arrepiou e disse que queria mais.
Sentiu a pedra áspera da montanha nos joelhos já ralados.
Urrou de dor e disse que queria mais.
Sentiu a grama molhada de orvalho nas costas queimadas do sol.
Sonhou e disse que queria mais.
Sentiu a luz das estrelas nos olhos quase cerrados.
Sorriu e disse que queria mais.
Sentiu, dentro do peito e em todo seu corpo, as inúmeras vontades, desejos e querências. Sentiu tudo e resolveu dizer:
Não quero mais. Não preciso de mais. Tudo está completo tal qual a montanha e suas virtudes.

domingo, 8 de maio de 2011

Ter tido tempo em várias linhas

Tempo tempo no apuro
corre tempo pega lá
tempo tempo na corrida
quanto tempo de corrida dá

tem tempo que aperta tempo
tempo corre tempo pega
tem tempo que não dá tempo
tenho tempo pra parar

pego tempo tempo tinha
se não tenho tempo dá
se já pego o tempo antes
mais tempo tenho pra tentar

passo o tempo todo o tempo
tenho tempo na mania de passar
mas se tempo tenho pra largar
tinha tempo todo tempo pra voar

tempo tempo voa tempo
tenho tempo pra pensar
mas no tempo que não tenho
tento ter o tempo de sonhar.

Aliás, ter tempo ou não ter tempo não importa no final. Tempo passa e tempo fica, teu tempo há de passar.

-

Então: Ah! Me dá um tempo.

Reconhecimento

Sobreponho essas lembranças vãs,
há tanto tempo já não falo contigo.
Mas às vezes chego a me perguntar
há quanto tempo já não falo comigo?

Mas não deixo me arrepender daquelas tardes
noites e afins.
Quando, sem pedir nada,
me dava o motivo pro sorriso longo e demorado.

Sei que foi de ti grande parte da minha vida,
grandes meses que passaram,
alguns anos que vivi.

E é também de ti, menina,
o meu grande apelo ao desconhecido,
pois já te desconheço como antes de ter conhecido.
Te ver assim, no desconhecido,
me da um calafrio
e te digo, mulher,
não aguento esperar esse talvez grande fim de solidão.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Sinto Esquecer

Quero entender o meu amor
tão longe aqui dentro
eu não sei mais tentar viver

Queria não poder me acalmar
ver todo tempo livre
como um mar que não dá trégua

Sinto esquecer sua canção
de noite no meu quarto
o meu colchão me cala o medo

Como pude ver dentro de mim
alguém que não seria mais eu mesmo?
Eu não entendo

Não sei se não queria mais
Saber que não podia me entender
Talvez se eu fosse algo mais
pudesse então dizer não assim

Nada vou querer pra me deixar
e nada vou pedir
eu vou partir então sozinho

Se à noite então alguém me encontrar
agora eu sinto que chegou o tempo
e vou correndo

Não sei se não queria mais
saber que não podia me entender
Talvez se eu fosse algo mais
pudesse então dizer não pra mim

Você passou e não sorriu
Pra mim não passa mais de um vazio
Pra mim eu sou o mesmo que te viu
tão só, tão só, tão só.


-

é uma musiquinha legal que eu fiz esses dias.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Clara Penumbra

Hoje soube que qualquer penumbra é motivo de desespero,
desde o aconchego dos lençóis até o ultimo degrau da caverna.
Não se relaxa um segundo, e qualquer sinal de luz é euforia.
Estou na penumbra total, mas as vezes lembro que trouxe uma lamparina.
Pequena, como se fosse feita pra mim, no meu atual estado.
Tenho estado rouco demais para dividir idéias sensatas.
Todo esse mundo que teima em querer ser ouvido e não pede respostas,
simplesmente diz aleatoriedades, mas suplica um entendimento imediato.
Essa dor de cabeça me causa náuseas.
Cansei de informações.
Estou rouco demais para palavrear contra qualquer suposto crime.
Estou rouco demais para palavrear.
Sem mais palavras.
Fui criado assim.
Criado mudo.

domingo, 24 de abril de 2011

Um só produtor.

Ninguém gosta de se mostrar para os outros como um grande perdedor. Eu também não fugia à regra, até que um dia decidi ver o que as pessoas fariam se eu as dissesse quem eu realmente sou e o que eu fiz pra me tornar isso.

Prazer, meu nome é Daniel Spott e eu sou um grande perdedor.

Não, não digo exatamente nessas palavras, mas as pessoas acabam entendendo assim.

Olá, meu nome é Mario e eu vim consertar o seu encanamento.

Capítulo 1 – You can always go downtown.

“Entre, meu querido”, disse a velha que morava em um mofado apartamento no centro.

Eu não soube diferenciar se aquele cheiro horrível vinha da velha, do apartamento, ou dos canos que eu disse que daria jeito. Mas não importava, eu terminaria aquele trabalho rápido e sairia pra comer um churrasco. De algum jeito, aquela situação me deixava com uma vontade horrenda de comer a picanha que mais espirrasse sangue na minha cara.

“Com sua licença, madame”. Tinha de ser educado, um encanador nunca seria.

Ela me levou ao banheiro - aquele imundo banheiro me dá náuseas só de lembrar. “Aqui estão os canos que estouraram. Não ligue para a bagunça, estou com alguns probleminhas para arrumar tudo.”

“Claro, minha senhora.” Probleminhas com a vida, ela quis dizer. Caso contrário eu não perderia meu tempo visitando-a. Uma coisa engraçada sobre essas pessoas estranhas do centro. Toda vez que venho fazer trabalhos por aqui, - o que já devo ter feito umas 4 ou 5 vezes – eles sempre parecem perdidos na vida, grandes perdedores, mas quando me anuncio, tentam arranjar desculpas para explicar a bagunça em que têm vivido. Fico imaginando o que têm contra encanadores, eletricistas, instaladores de TV e coisas do tipo. Será que devo parecer muito mais perdedor do que eles ao ponto de precisar de explicações sobre a sujeira?

“A senhora poderia me dar licença um momento? É que preciso religar a água para encontrar o problema.” Sempre funciona. “Se puder fechar a porta também, por gentileza.” Sempre sutil e educado.

Nunca soube encontrar problemas em canos. Nunca precisei disso também.

Aquele era um banheiro apertadíssimo, e eu quase não conseguia abrir minha bolsa confortavelmente e ajustar o silenciador. Outra coisa engraçada sobre essas pessoas do centro. Elas nunca parecem muito assustadas quando me vêem segurando uma pistola, prestes a colocar uma bala em suas cabeças vazias. Acho que já esperam por esse momento algum dia. Perdedores que são, sabem que vão ter uma morte rápida e imbecil.

Foi assim com a senhora corcunda e fedorenta do 503 de algum prédio nojento do centro. Apenas abri a porta, mirei, e atirei contra ela. Nenhum som de desaprovação, nenhum susto ou sinal de medo. Só seus miolos frescos se juntando à parede suja.

Quando você mata alguém que mora sozinho, em um apartamento esquecido, ninguém se incomoda em procurar quem o fez, ou o porque. Apenas jogam o corpo em algum necrotério já lotado e esperam um parente reconhecer a vítima, caso haja alguém que se interesse.

Eu nunca me interessei. Ou nunca havia me interessado até o dia em que conheci a garota de olhos de caleidoscópio.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Postpone

No sofá do quintal, as estrelas
e dentro do rapaz.
Inquietas como há de ser
e foi por tanto tempo
mas dentro do rapaz
só sopra o vento simples da duvida.
Digam coisas horrendas,
joguem a sorte ao vento
como um bumerangue
e espere voltar, após colher todos os frutos proibidos.
E é ali mesmo, e só ali, que tudo pode se transformar.
ULTRAJANTE!
Não, é só o vento lá fora.
Mas na cadência insensata das cordas,
eu me pego dizendo:
O rapaz das estrelas sou eu, sentindo o simples vento da dúvida
e, mesmo assim, cantando aos sete ventos
CAIU NO MAR O DESCUIDO BREVE DE UMA VIDA.
E natural como era, se tornou apenas um descuido do caos.
O caos não existe. Ou assim é o que querem que pense.
Só não pense em mim, já estou farto de amores mal resolvidos.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Ator

Sempre que descuido
vem o mundo me dizer
que não dá tempo pra pensar em esquecer

E na verdade o que eu quero é um momento
desse tempo que não tenho
pra tentar me refazer.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Joaquim

ESCONDA O MEU VESTIDO, JOAQUIM, A CHUVA TÁ SUBINDO A SOLEIRA DA PORTA!
Pega aquele lençol novo e bota em cima do armário e corre pra socorrer a Jussara que tá presa na cozinha.
ANDA LOGO, JOAQUIM! LEVANTA ESSA BUNDA DO SOFÁ MOLHADO. NÃO CONSIGO SEGURAR ESSA ÁGUA SOZINHA NÃO.
Se você não fizer alguma coisa, a gente tá ferrado. Maldita chuva JOAQUIM!
CORRE! A ÁGUA CHEGOU NA MINHA CINTURA.

Mas Joaquim estava morto já faziam 2 semanas, sentado no sofá.

Para o inferno com a teimosia

Recorri as outras coisas
como uma procura longa ao desconhecido
e conheci.

Mas me conheci sozinho, naquele riacho frio e escuro.
Sobre pontas de cigarros velhos e molhados
estava construído o pequeno altar da lembrança
e as fotos não paravam de chegar.

Os postes na chuva ficam tão bonitos,
disse eu. E a resposta foi a da revista:
Estou livre em janeiro.

Mesmo não conhecendo, reconheci.
Mas meu amor era tão forte que nem deu pra notar.
"Olhe, querido! Parecem pequenas frases jogadas ali."
"Não, mulher, são inoportunas desculpas aos amores jogados longe."

Porque sou só eu que posso escolher,
e minha escolha é sempre sim.
Soberano ou não, a réplica é da senhoria,
e eu não gostaria de interrompê-la.