domingo, 8 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Sinto Esquecer
tão longe aqui dentro
eu não sei mais tentar viver
Queria não poder me acalmar
ver todo tempo livre
como um mar que não dá trégua
Sinto esquecer sua canção
de noite no meu quarto
o meu colchão me cala o medo
Como pude ver dentro de mim
alguém que não seria mais eu mesmo?
Eu não entendo
Não sei se não queria mais
Saber que não podia me entender
Talvez se eu fosse algo mais
pudesse então dizer não assim
Nada vou querer pra me deixar
e nada vou pedir
eu vou partir então sozinho
Se à noite então alguém me encontrar
agora eu sinto que chegou o tempo
e vou correndo
Não sei se não queria mais
saber que não podia me entender
Talvez se eu fosse algo mais
pudesse então dizer não pra mim
Você passou e não sorriu
Pra mim não passa mais de um vazio
Pra mim eu sou o mesmo que te viu
tão só, tão só, tão só.
-
é uma musiquinha legal que eu fiz esses dias.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Clara Penumbra
desde o aconchego dos lençóis até o ultimo degrau da caverna.
Não se relaxa um segundo, e qualquer sinal de luz é euforia.
Estou na penumbra total, mas as vezes lembro que trouxe uma lamparina.
Pequena, como se fosse feita pra mim, no meu atual estado.
Tenho estado rouco demais para dividir idéias sensatas.
Todo esse mundo que teima em querer ser ouvido e não pede respostas,
simplesmente diz aleatoriedades, mas suplica um entendimento imediato.
Essa dor de cabeça me causa náuseas.
Cansei de informações.
Estou rouco demais para palavrear contra qualquer suposto crime.
Estou rouco demais para palavrear.
Sem mais palavras.
Fui criado assim.
Criado mudo.
domingo, 24 de abril de 2011
Um só produtor.
Ninguém gosta de se mostrar para os outros como um grande perdedor. Eu também não fugia à regra, até que um dia decidi ver o que as pessoas fariam se eu as dissesse quem eu realmente sou e o que eu fiz pra me tornar isso.
Prazer, meu nome é Daniel Spott e eu sou um grande perdedor.
Não, não digo exatamente nessas palavras, mas as pessoas acabam entendendo assim.
Olá, meu nome é Mario e eu vim consertar o seu encanamento.
Capítulo 1 – You can always go downtown.
“Entre, meu querido”, disse a velha que morava em um mofado apartamento no centro.
Eu não soube diferenciar se aquele cheiro horrível vinha da velha, do apartamento, ou dos canos que eu disse que daria jeito. Mas não importava, eu terminaria aquele trabalho rápido e sairia pra comer um churrasco. De algum jeito, aquela situação me deixava com uma vontade horrenda de comer a picanha que mais espirrasse sangue na minha cara.
“Com sua licença, madame”. Tinha de ser educado, um encanador nunca seria.
Ela me levou ao banheiro - aquele imundo banheiro me dá náuseas só de lembrar. “Aqui estão os canos que estouraram. Não ligue para a bagunça, estou com alguns probleminhas para arrumar tudo.”
“Claro, minha senhora.” Probleminhas com a vida, ela quis dizer. Caso contrário eu não perderia meu tempo visitando-a. Uma coisa engraçada sobre essas pessoas estranhas do centro. Toda vez que venho fazer trabalhos por aqui, - o que já devo ter feito umas 4 ou 5 vezes – eles sempre parecem perdidos na vida, grandes perdedores, mas quando me anuncio, tentam arranjar desculpas para explicar a bagunça em que têm vivido. Fico imaginando o que têm contra encanadores, eletricistas, instaladores de TV e coisas do tipo. Será que devo parecer muito mais perdedor do que eles ao ponto de precisar de explicações sobre a sujeira?
“A senhora poderia me dar licença um momento? É que preciso religar a água para encontrar o problema.” Sempre funciona. “Se puder fechar a porta também, por gentileza.” Sempre sutil e educado.
Nunca soube encontrar problemas em canos. Nunca precisei disso também.
Aquele era um banheiro apertadíssimo, e eu quase não conseguia abrir minha bolsa confortavelmente e ajustar o silenciador. Outra coisa engraçada sobre essas pessoas do centro. Elas nunca parecem muito assustadas quando me vêem segurando uma pistola, prestes a colocar uma bala em suas cabeças vazias. Acho que já esperam por esse momento algum dia. Perdedores que são, sabem que vão ter uma morte rápida e imbecil.
Foi assim com a senhora corcunda e fedorenta do 503 de algum prédio nojento do centro. Apenas abri a porta, mirei, e atirei contra ela. Nenhum som de desaprovação, nenhum susto ou sinal de medo. Só seus miolos frescos se juntando à parede suja.
Quando você mata alguém que mora sozinho, em um apartamento esquecido, ninguém se incomoda em procurar quem o fez, ou o porque. Apenas jogam o corpo em algum necrotério já lotado e esperam um parente reconhecer a vítima, caso haja alguém que se interesse.
Eu nunca me interessei. Ou nunca havia me interessado até o dia em que conheci a garota de olhos de caleidoscópio.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Postpone
e dentro do rapaz.
Inquietas como há de ser
e foi por tanto tempo
mas dentro do rapaz
só sopra o vento simples da duvida.
Digam coisas horrendas,
joguem a sorte ao vento
como um bumerangue
e espere voltar, após colher todos os frutos proibidos.
E é ali mesmo, e só ali, que tudo pode se transformar.
ULTRAJANTE!
Não, é só o vento lá fora.
Mas na cadência insensata das cordas,
eu me pego dizendo:
O rapaz das estrelas sou eu, sentindo o simples vento da dúvida
e, mesmo assim, cantando aos sete ventos
CAIU NO MAR O DESCUIDO BREVE DE UMA VIDA.
E natural como era, se tornou apenas um descuido do caos.
O caos não existe. Ou assim é o que querem que pense.
Só não pense em mim, já estou farto de amores mal resolvidos.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Ator
vem o mundo me dizer
que não dá tempo pra pensar em esquecer
E na verdade o que eu quero é um momento
desse tempo que não tenho
pra tentar me refazer.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Joaquim
Pega aquele lençol novo e bota em cima do armário e corre pra socorrer a Jussara que tá presa na cozinha.
ANDA LOGO, JOAQUIM! LEVANTA ESSA BUNDA DO SOFÁ MOLHADO. NÃO CONSIGO SEGURAR ESSA ÁGUA SOZINHA NÃO.
Se você não fizer alguma coisa, a gente tá ferrado. Maldita chuva JOAQUIM!
CORRE! A ÁGUA CHEGOU NA MINHA CINTURA.
Mas Joaquim estava morto já faziam 2 semanas, sentado no sofá.
Para o inferno com a teimosia
como uma procura longa ao desconhecido
e conheci.
Mas me conheci sozinho, naquele riacho frio e escuro.
Sobre pontas de cigarros velhos e molhados
estava construído o pequeno altar da lembrança
e as fotos não paravam de chegar.
Os postes na chuva ficam tão bonitos,
disse eu. E a resposta foi a da revista:
Estou livre em janeiro.
Mesmo não conhecendo, reconheci.
Mas meu amor era tão forte que nem deu pra notar.
"Olhe, querido! Parecem pequenas frases jogadas ali."
"Não, mulher, são inoportunas desculpas aos amores jogados longe."
Porque sou só eu que posso escolher,
e minha escolha é sempre sim.
Soberano ou não, a réplica é da senhoria,
e eu não gostaria de interrompê-la.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Saudável perda de carinho. Ou não.
um pouco inebriado, eu sei,
peco pouco no desejo de te ter mais uma vez (ao menos dessa vez)
perto de mim.
Sei que tenho estado longe,
vulgarmente longe,
pois sempre estive perto em coração.
Mas em tanto, e fulgaz, descontentamento,
espero e aguardo o teu sinal.
E, se não me deres,
continuo o plano, e vou.
Mesmo sabendo que já é tarde,
mas sabendo que nunca é tarde demais.
Talvez o meu amor esteja completo enfim,
talvez eu seja capaz de dormir sem pesares afinal.
Se for, estarei feliz.
Se não for, terei tentado.
Só te peço que não perca em ti o que tens de mim,
se tão nobre é.
E não importa o vento que me faça ir um passo atrás,
nem importa o tropeço que me machuque:
Sei que estou bem para continuar,
mesmo que caia e não levante.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Dê as costas e saia, maldito.
Me convidou para voar e dançar naquele céu azul que serpenteava com nossos passos.
Me acolheu em um abraço longo e demorado,
abraço quente onde os pingos do céu azul caíam sobre mim e me davam um manto mais bonito que as próprias asas.
Me contou as histórias do passado, me preencheu com sonhos inimagináveis.
Me acalentou e, por um segundo, achei que me amava tanto quanto eu queria e precisava ser amado.
Mas, por fim, deu seu último mergulho e se juntou ao antigo cisne que já não lhe amava mais.
Me largou por lá, naquele reflexo de céu escuro e chuvoso, com minhas asas negras de pato feio.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Quase Três
Tempo está passando
os anos correndo
tenho quase vinte.
Quase vinte voltas
na bola amarela
quente que flutua.
Se cada dia
passa tão devagar
quanto um domingo,
então todo dia
eu posso fazer
quase muita coisa.
Mas esse quase
não resolve nada.
Esse meu quase
é quanto estou
perto do que
eu quero ser.
Sempre quase lá.
Mas eu vou,
e prometo mesmo,
nesse empenho vou
encontrar eu mesmo
em mim.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Two Left Feet
Depois do medo de me lançar,
surgiu a vontade de saber.
E depois disso, foi a busca.
Tanto tempo, tantos caminhos andados,
mas agora me encontro deitado em minha cama
e as costas dóem de tanto deitar.
Só espero que espere,
só espero que saiba que estou aqui,
tentando levantar e pisar no chão com o meu pé direito.
Mas, depois de meses, descobri que tenho dois pés esquerdos.
Me ajuda a levantar?
sábado, 8 de janeiro de 2011
Escolho
a crer
que sou firme forma
de mim
me escolho a cada passo
descompasso
a cada respiro e sopro
me viro
e desviro pra me escolher.
Minha escolha me deixou
triste
e, triste,
te vejo ali.
Eu gosto de você
mas a nossa escolha chegou a esse ponto
e é triste não me ver mais em você.
Me escolho e, se pudesse,
voltaria,
pra poder escolher ter escolhido não te dizer não.
Mas não posso.
Primeiro porque não disse,
segundo que escolha é escolha
então me escolha.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Soninho
que eu durmo pra ti também.
E não se acorde nem me acorde até todo esse tempo acabar.
Não sabes o que vai sonhar,
e nem eu sei nem saberia até acordar denovo.
Mas depois de acordar, espero viver esse novo sonho.
E espero acordar, assim, ao teu lado.
Mas antes de dormir, acalma o medo,
porque sou teu e és minha antes e depois.
Pato, lógico.
Puff.
Não consigo mais voltar.
Maldita patologia.
Será que remédio resolve?
Será que quero resolver?
Olha! Denovo!
Puff.
Me descuidei por querer?
Ah não, Léo. Pára com isso.
Te deixa em paz, pelo amor de quem você não acredita.
Quer saber?
Vou deixar.
Só não sei o que fazer agora.
Odeio ter que ocupar minha cabeça.
Será que eu to ficando louco?
Tá. Adeus.
A maior bobagem já escrita do mundo.
Perdas ou ganhos são pura e sólida ilusão.
Sou eu e mais nada. E talvez nem seja. Não posso garantir nada. Ninguém pode.
Por vezes tentei explicar em livros e conversas e afins. Mas não há nada para explicar: nem mesmo detalhes floreados de uma filosofia completamente quebrada que pessoas inexistentes tentam me fazer acreditar. Por fim, tudo já passou e é irremediável.
Tão longe quanto alguém puder enxergar do alto de qualquer construção. E mais além. E tudo o que se vê é nada. Daí abaixam a cabeça e observam os próprios pés. Magníficos em sua constância, mas inexatos na arquitetura vã que é sua função;
Não correm mais, como se era programado. Apenas servem de conteúdo para meias de algodão e calçados de petróleo. Mas ainda miram os pés. Ou talvez seja coisa da minha cabeça, e todas essas linhas aí em cima sejam devaneios pessoais, ou passa-tempo.
O que me importa é esse tempo.
Não, minto. O que me importa sou eu. E, como sou tão tolo quanto ninguém, esse meu eu engloba todos, mas me contradigo assim.
Vou explicar então, para não haver desentendimento:
Sou, mas posso não ser. Mas, na hipótese de sendo, sou e tento somar mais a esse ser. Então me torno somos, ainda sendo eu mas me distinguindo de mim mesmo para conseguir me transformar em todos nós. Portanto, hipotéticamente, eu sou você, tanto quanto você sou eu. Ou seja, quando digo que o que me importa sou eu, digo que me importo conosco e, assim, me importando também com todos os pares de pés que correm ou não.
Não tenho certeza se fui claro, mas, partindo da hipótese criada, não há necessidade nenhuma de ser claro, pois se eu consegui me compreender - e eu somos todos nós - o entendimento já está imposto, já que é você quem está escrevendo e não eu, mas eu também.
Irônico.
Mas completamente verdadeiro.
Ou uma baboseira sem fim.
A única falha em toda essa divagação é o amor.
O amor é algo completamente diferente.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Semáforo Paulo Freitas
Sei que já se passam das sete da manhã, e já posso apagar a luz do meu quarto.
O semáforo em frente da janela tem contador de segundos. 3, 2, 1: FELIZ ANO NOVO!
Mas eu ainda estava em novembro.
E o quanto eu já me lembro.
Qualquer coisa agora pode ser o que eu espero, desde um carro apontando na esquina até um Oliver Twist passando na tevê. Qualquer coisa.
Mas seria em vão pensar em possibilidades nessa manhã. Passei a madrugada inteira pensando no impossível.
Já tem tempo que sinto nessa janela um conforto necessário pra me acalmar. E essa vista do segundo andar é linda, principalmente vendo o sol nascer.
Então vou ali apagar a luz e virar a página. Essa aqui já deu o que tinha que dar.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Nous Deux
Eu não sei o que tenho feito comigo nesses ultimos dias,
mas, pode ter certeza: toda essa incerteza é por causa de você.
E, se não percebeu, eu tentei de todas as formas te dizer que tinha chegado a hora.
Mas essas minhas formas... eu acho que só eu as entendo.
Me desculpe se arruinei algo que talvez não tenha volta,
é que por dentro eu ainda sou aquele mesmo garotinho que escrevia coisas de amor pra ele mesmo ler sozinho no quarto.
E, talvez infelizmente, esse garotinho você não chegou a conhecer.
Mas, se puder, continua tentando.
Talvez acabe valendo a pena pra todos nós.
Nós dois.
Jolene, Jolene
'cause your lover ain't coming for a about a week
and you'll have to wait a moment to get sick
now your family is living in a mountain peek
and a lot of drugs won't do you any harm