domingo, 10 de outubro de 2010

Sorte de Principiante

Minha avareza é o meu controle remoto,
onde tudo que é concreto se transforma numa besteira sem tamanho.
Minha gentileza é só um enfoque,
aqui, sozinho, o mundo gira sem necessidades de etiqueta.

Sua natureza é o meu sentido morto,
pra mim, se quer assim, pode ser, mas não me agrado.
Essa mesa é aquela controvérsia,
se onde eu ponho o prato, não me ponho, mas se peço pato, me acompanho.

Nossa realeza é um lixo radioativo,
e não me deixo mais enganar pela idéia do infinito.
Olha! Que beleza, já passou mais um domingo,
só que nessa casa sobraram eu e um colchão frio.

sábado, 9 de outubro de 2010

Ainda

E ainda espero,
na sombra da tua dúvida,
que me conceda o suspiro
que eu precisava pra dormir em paz.

Não que não durma,
mas sei que ainda falta algo,
ainda falta muito.
Ainda falo muito.

Mas não se recuse chorar,
não se recuse pensar no que era.
Mas, quando passar, vem
e me diz que chegou a hora.

Ainda que sobre,
ainda que falte algo,
ainda que falte muito.
Na sombra da tua dúvida eu estou aguardando.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Mudanças.

Oba! Agora temos mecanismo de busca ali do google pra eu não me perder mais nessa zona que esse blog acabou virando.
E eu acho que ele ficou mais bonitinho assim também. Saudade dos meus layouts no photoshop e tal, eram muito mais artesanais.
Enfim, cala a boca, Léo.
Depois vem mais merdinha sentimental escrita pra vocês aqui. Por enquanto eu acho que vou dar uma cochilada.
Um abraço e distribuam esse blog pros coleguinhas, alguém um dia vai gostar. (Espero eu).

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Reflexo

Desculpa, amigo,
mas não sei o que fazer.
Não sei se era a hora de nos aborrecer.

Eu sei, amigo,
mas não posso te dizer.
Não sei, mas era a hora, eu tinha que fazer.

Me difame, amigo,
mas não venha com porquês.
Não quero me perder no meio de vocês.

Desagrade, amigo,
mas não vá liquefazer.
Não troco um por outro, não adianta nem dizer.

Não faz isso, amigo,
já se sabe que você
só procura abrigo, mas não deixa ninguém ver.

PORQUE SERÁ?
PÁPÁPÁÁÁPÁPÁÁÁPÁPÁPÁPÁ

Parabéns

Olha que legal, meu blog é tão antigo que a postagem anterior foi a 350ª postagem.
Massa né?
Nem é, mas beleza.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Hiperatividade Passageira

Eu as vezes não entendo essa minha doença. Passa tanta coisa na minha cabeça. Passa chaves na tevê. Passa tanto medo, tanta música. Passo eu, passa você. Ela passa e fica. Passam passos e Passenses. Passo frio. Passa minha mãe e meu pai, lá longe. Passam horas sem dormir. Passo mais um café pra continuar aqui. Passa a página, passa vontade. Passa-tempo, verdade. Passam dias que voltei e agora passa vento no vidro quebrado da janela do meu quarto. Só não paro de passar por essa pena de pedir mais um tempo pra passar com quem eu amo. Mas esse amor agora é tanta gente, que passam cidades, passam ônibus, passam meses e eu não consigo fazer passar esse desejo de que todos e tudo dêem uma passadinha aqui nesse sofá.
Enquanto isso, alguém passa a minha roupa na avenida Leite de Castro com um lindo ferro de passar.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Meu novo setembro

Eu não me entendo desse jeito,
sou tão bem quanto queria não ser.
Mas, talvez seja bom gostar assim.
Sempre me fez feliz.

Não importa se não é costume acreditar nesse tipo de coisa,
mas, pra mim, tudo dá certo no final, se você tem certeza que vai ser uma coisa boa.
É um paradoxo que somos nós: pessoas que interagem e se completam.
Mas o amor é algo mais.
É o que não se pode explicar por paradoxos.

Tá vendo, não me entendo tão bem.
Mas entendo que tenho estado feliz por estar assim: você.

Se tudo passa

talvez você passe por aqui.

sábado, 2 de outubro de 2010

Caderneta do Sherlock Holmes

Sobras do tempo de antes
sempre sobram na minha cabeça.
Seus cigarros, nossos jogos,
as risadas e tudo mais.

Os dias na piscina,
enquanto me ensinava a nadar.
Suas revistas escondidas
e os palavrões que aprendi falar.

As memórias de um cara que se foi,
essa vida nunca é o bastante.
Mas no fim eu agradeço e rio,
Obrigado, meu caro amigo, meu grande tio.

Aquele dia

À tarde a chuva veio me dizer
que hoje era o último dia que eu
tinha pra tentar.

Você estava tão quieta,
eu não sabia o que dizer,
então resolvi deixar.

Foi quando, já na rua,
me pedira pra ficar só mais um tempo
até desencontrar

Eu disse: porque não? É claro que quero ficar.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Velha

Hoje na rua eu consegui me deter
e pensei.
Consegui me tocar e me ver de dentro:
Aquela parte de mim palpitando para ser eu,
e era.

Toda a rua se virou de reverência, o meu carnaval particular e sóbrio.
Observava além dos confetes, mas nada mais me fez pensar.
O barulho era ensurdecedor.

Eu via os caras da madrugada e percebia
que era só aquilo que me tocava na nova vida
e não digo que fiquei triste, por essas é que eu sou pura felicidade.

O carnaval ficou bom e a água não era pra ressaca,
era só pra ter com quem tomar.
Lhes digo, amigos, que água boa era aquela.
Meu novo sonho púrpura lembrou do velho sonho e tudo ficou cinza como aquele céu.

Agradeci, o que mais eu podia fazer?

domingo, 19 de setembro de 2010

Um pequeno oi.

Oi, eu adoro o teu bom dia de madrugada quando acordo já na tarde e nem percebo os erros do resto do dia e quando vejo a luz na tela e fecho os olhos pra dormir só mais um pouco e sonhar com o que pode ser e lembrar dos poucos dias em que eu já me sentia um passarinho só de pensar que te veria sorrindo e dizendo coisas que guardei pra lembrar depois e conversar sobre coisas que guardei pra falar agora.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Não é mais verdade, mas ainda vale como produção intelectual.

E eu a olho com suspiro,
nunca o ultimo, eu sei,
mas sempre o desespero.

E na volta, calo-me certamente.
Como na primeira vez em que
tais olhos vi de perto.

Agora, ano além,
me vejo com a mesma vontade de outrora,
tê-la perto, meu mundo certo, sem a falta.

Me desperto do suspiro e não me calo:
Mesmo longe, não tão perto,
aqui fica sempre teu, como sempre é
e espero o quanto seja.
Vixe, parece música sertaneja.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Penso o que quero e vice-versa.

Eu até queria acreditar,
até queria aceitar.
Mas só penso no contrário.

Até pensei voltar,
eu até pensei em não voltar.
Mas só quero o contrário.

Eu até queria dormir bem,
até queria não sonhar com nada.
Mas eu só penso em tudo isso.

Até pensei em deixar,
eu até pensei em me deixar.
Mas agora eu sei que é só eu quem escolhe o que faço de mim. Então vou pensar o quanto quiser, e querer o quanto pensar que for preciso.
Hoje não foi nada, hoje foi só um dia em que eu quis não pensar.
Mas não me deixaram.

Viagem ao Centro da Terra

- Olá, digo eu.
- Olá, diz ela.
- É quanto? digo eu.
- É cinquenta, diz ela.
- Toma, digo eu.
- Então vamos, diz ela.
- É aqui o meu apartamento, digo eu.
- Bonito, diz ela.
- Tira a roupa, digo eu.
- Ah, diz ela.
- Vem, digo eu.
- Isso, diz ela.
- Gostosa, digo eu.
- Que delícia, diz ela.
- Isso, digo eu.
- Aaaah, diz ela.
- Uuh, digo eu.
- Gostou, gato? diz ela.
- Quer um cigarro? digo eu.
- Não, diz ela.
- Já vai? digo eu.
- Sim, diz ela.
- Tchau, digo eu.
- Até, diz ela.

Rapidez

E agora? Como a gente vai saber?
E agora? Cadê aquele "sempre sei"?
Mas e agora? Porque fui duvidar?
Vou embora, não aguento mais esperar.

Acidental

Ela olha para os dois lados da rua e atravessa. Passa pela travessa onde tudo aconteceu e sente o cheiro de mofo. Acende um cigarro para esquecer o cheiro de sangue. Entra na porta velha, a velha porta que a atormenta nas noites em sua cama. As paredes escutam o tão silencioso passo e sentem o cheiro da fumaça do cigarro. As paredes, absortas, abrem caminho para ela passar. A moça encontra a outra porta, a porta que lhe falaram ser tal. Bate três vezes, já com a mão no bolso. Aguarda. Bate três vezes novamente, agora suando frio. O velho abre."Não estou mais vendendo", diz ele encarando a moça até lembrar quem era ela. Lembra-se da maravilhosa noite de núpcias na mesma travessa, onde a lua ouvia os uivos do casal recém encontrado.
Três sons surdos de pólvora escorrem pelo ar do grande corredor escuro, enquando o velho escorre pelas paredes ainda absortas e sujas.
Ela acende outro cigarro e lembra-se do velho, lembra-se da dor. Deseja poder matá-lo novamente, mas os jornais não a deixam: "Famoso estuprador e traficante é morto por uma de suas vítimas."

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

William,

Bom dia!..
Estou enviando este rapaz para você atender e ver se pode ajudá-lo.
E veio na Casa da Família o que ele está precisando nós não podemos ajudá-lo.
Certo da sua atenção, agradeço e que Deus o abençoe.
Márcio da Paz. 10.08.10

Achei um papel na rua e resolvi que ele seria uma excelente explicação pra tudo o que a gente não viveu.
Não se pode reverter as coisas, e a ajuda nunca vem de quem precisa te ajudar.
Só que ninguém entende que não existe ajuda.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Cara de dó.

Enquanto o mundo meu girou
eu não percebi que a volta era o silêncio.
Além do mais, pestanejei
e me encontrei ferrado em descontento.

Vivenciei a sobra de dois nomes,
despenquei no meu a sombra do inverno.
Tremi de medo e frio ao não me ver
junto a tudo aquilo que era correto.

Então alguém veio me dizer
que o mundo inteiro gira sem saber
e que não vale mais contar as voltas
pois no fim tudo a quilo que se vê

Uma volta e meia de rancor
Uma volta inteira de pavor
Então alguém veio me dizer
que não.

Passatempo

Só queria dizer pra mim mesmo,
mas nem isso eu tenho conseguido.
Parece que tem algo preso aqui,
não é choro, porque nunca fui disso,
é só uma sombra de dúvida.
Uma sombra de culpa por não ter conseguido me dizer que não.

Mas, como diz a nova música,
deixa que o tempo vá.
É, e eu queria ficar.